sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Só Sei Que Nada Sei!


“Nada posso lhe dar nada que já não exista em você. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada posso lhe dar a não ser uma oportunidade, o impulso, a chave. Só posso ajudar-te a enxergar o teu próprio mundo”.

Herman Hesse
***


Uma vez mais acabei me envolvendo numa daquelas discussões, intermináveis, sobre a existência ou não de Deus.
Algumas pessoas lêem Nietzsche e acham que entenderam realmente o que ele quis dizer e saem mundo afora se auto-proclamando ateus, com a pretensão de estar seguindo um modelo Nietzschiano. E eu me pergunto: será que é do mesmo Nietzsche que estamos falando? E de que/qual Deus estamos falando? Então eu encontro conforto em Sócrates e agradeço pela sua honestidade. Ninguém conseguiu me convencer tão bem quanto ele, que disse “só sei que nada sei!”.
Tentar explicar o que - ou quem - é Deus, seria o mesmo que tentar explicar uma cadeia de DNA ou a Internet para os homens das cavernas.
É muita pretensão a nossa achar que há - ou que não há - um Deus, definí-lo e explicá-lo, porque a única verdade, incontestável, é que não sabemos absolutamente nada, concreto, sobre isso.
Não sabemos sequer a razão da nossa existência. No entanto, nós existimos e deve haver alguma razão, superior a nossa compreensão, para isso.
Acredito que da mesma forma que o homem evoluiu das cavernas e - através da ciência e das tecnologias - hoje consegue compreender coisas que não entendia antes. Talvez um dia teremos, enfim, explicação concreta sobre a origem da vida e da existência, ou não, de Deus.
Enquanto esse dia não chega, tudo o que dizemos ou acreditamos não passam de suposições! Intuições do nosso íntimo.
Que cada um descubra o seu caminho, decida qual seguir e seja respeitado por sua escolha. Se esse caminho é o certo ou errado apenas ela própria tem condições de descobrir.
Tudo é uma questão pessoal, de uma escolha pessoal. Depende, exclusivamente, das suas experiências pessoais e do que, seja lá o que for, deu origens às suas crenças. E ninguém vai conseguir convencer ninguém, que não queira ser convencido, das suas teorias.
Enquanto não temos nada, de fato, concreto. Não existe certo ou errado, o que existe são diferentes caminhos.
Gosto muito do que disse Fernando Pessoa “Não importa onde você está afinal todos os caminhos vão dar no mesmo lugar”.
E esse lugar, pode ser o encontro com a verdade.
Não importa qual caminho escolhemos para chegar a um objetivo final. O que importa é que trilhando esse caminho, qualquer caminho, cresceremos de alguma forma, aprendemos coisas que podem nos elevar a um estágio superior - de compreensão - e depois a outro e outro... Até um dia, finalmente, cruzarmos a linha de chegada. E esse ponto final pode ser o paraíso, o nirvana, a certeza da materialidade das coisas, a transformação de algo em outro algo ou simplesmente a descoberta de si mesmo.
Acredito ainda que a única pessoa que pode nos salvar somos nós mesmos. E salvar de quê? Da nossa própria ignorância.
Uma das coisas mais honestas que já li sobre Deus, foi escrito por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos:
“Quem/ou o que é Deus? Podemos definir Deus?" e a resposta "Não! A pobreza da linguagem e da compreensão humana não é suficiente para definir algo que está além de sua inteligência".

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