sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Os homens da minha vida!


Outro dia a Fernanda Torres escreveu um texto, "Mulher", e muita gente a criticou dizendo que ela escreve baseada nas próprias experiências, etc e tal.

Mas é óbvio que as pessoas todas escrevem, sentem e tem opiniões baseadas em suas próprias experiências. A gente fala do que a gente conhece, ou então vai falar bobagens... Já é tão complicado falar daquilo que a gente sente e vive, imagine falar daquilo que não vivenciamos.

A gente pode se solidarizar, pode compreender o outro através da experiência que ele nos passa. Podemos nos indignar com o que vemos, brigar em nome deles, mas só podemos falar com confiança daquilo que sentimos em nossa própria pele.

Quando a Fernanda veio à público pedir desculpas pelo seu texto, eu também parei para analisar um pouco as coisas que eu penso em relação à mulher. A mim, também, sempre pareceu exagerada essa "briga" pelo tal empoderamento feminino. Então comecei a questionar meus sentimentos em relação à essas questões todas e a necessidade da mulher se impor, coisas que a mim sempre pareceu um drama exagerado e até uma espécie de competição com o macho - salvo, claro, os casos extremos de agressões e todo tipo de atrocidades que são impostas à algumas mulheres, que chegam ao meu conhecimento.

E por que raios eu não conseguia ver mais além? Por que não conseguia entender, de verdade a luta dessas mulheres? Lendo o "Mea Culpa" da Fernanda, fui capaz de compreender algumas coisas.

Obviamente é complicado, a mim - também branca de classe média, que viveu quase a vida toda em cidadezinhas do interior, onde o filho do prefeito e do coveiro estudavam na mesma escola - compreender de verdade a luta dessas mulheres. Além de ter vivido numa pequena cidade onde todo mundo se conhecia e era quase que como uma imensa família morando no mesmo lugar, eu tive a felicidade e a SORTE, de ter convivido a vida toda com homens maravilhosos. 

Consegui chegar aos 44 anos sem ser ofendida, física ou moralmente, por homens. Talvez eu seja distraída demais e algum engraçadinho tenha passado desapercebido por mim, mas nunca houve nada que me fizesse sentir ódio dos homens. Eu convivi com idiotas, é claro, mas nunca deixei que me afetassem. Os poucos otários que cruzaram o meu caminho, foram tão insignificantes que nesse momento sequer consigo me lembrar de algum deles.

Eu fui criada pelo meu avô Domingos, uma das criaturas mais lindas que já existiu nesse mundo. Homem honestíssimo, trabalhador, bom marido, bom pai e unaminidade entre todos os que o conheceram como uma pessoa de bom caráter. O meu avô me ensinou valores e lições que levarei por toda vida. E me ensinou a não me curvar diante das dificuldades.

Nunca ouvi em minha casa uma única palavra que fosse de discriminação, preconceito ou racismo. Apesar da origem européia e de conhecidamente ter vindo de uma família durona e em alguns casos meio racista, isso não afetou o meu avô. Ele não! Ele pode ter tido outros defeitos, mas não era um homem machista. Sempre fez questão que suas filhas estudassem e desde novinhas trabalhassem. Apoiou a esposa estudar mesmo adulta. Estudar, em minha casa, sempre foi questão de honra para o meu avô, mesmo sendo ele próprio semi-analfabeto. Os filhos não, esses ele fez de tudo para que estudassem e tivessem o melhor.

Eu tive bons professores, bons tios, bons amigos, bons namorados e lindos exemplos. 

Os homens com os quais convivi e convivo são aqueles que amam as suas mulheres e as tratam com admiração e respeito. Meu tio João, à esquerda, tem 90 anos e é casado à 76 anos com a minha tia Emília, e ele ainda hoje diz que ela é o amor da vida dele. 


Os homens com os quais eu convivo, não se curvaram ao racismo e ao preconceito, como o vovô Joaquim, avô do meu esposo, que se casou há 57 anos com a vovó Maria, mulher negra e pobre. Só Deus sabe o que eles passaram para estarem juntos, mas sobreviveram e tiveram muitos filhos. Todos bem criados e pessoas boas. Os homens que eu convivo nunca me falaram que eu era inferior à eles. Pelo contrário, foram eles que me disseram que eu podia ir tão longe quanto quisesse.

Os amigos que eu tenho, são homens conscientes, que tratam com amor as suas mulheres e seus filhos. São pessoas que se importam com o que acontece à nossa volta e estão empenhados em deixar um mundo melhor para seus filhos.
Eu não tenho um único amigo machista, que olha a mulher de cima, como se menos importante que eles fossem. nenhum deles nunca me olhou assim. Eu realmente tenho muita SORTE!



O marido que eu escolhi é a pessoa mais encantadora e bondosa que eu já conheci. Ele me ama, me cuida, me respeita, me admira e é a pessoa que mais me coloca pra cima quando estou meio deprê. É daqueles pais que trocam fraldas, dão banho, contam histórias e dão papinha. É o tipo de homem que coloca o filho dormir e vem me perguntar o que eu achei do texto que ele me mandou pra ler. Pede ajuda, dá ajuda e é a pessoa que eu mais confio nesse mundo. Não apenas como marido, mas como o meu melhor amigo.


É, sem sombras de dúvidas a pessoa que mais me conhece, e mesmo assim me quer ao seu lado.

Eu jamais poderia entender de fato, qual é o espaço que as mulheres tanto reclamam, porque eu simplesmente sempre tive o meu espaço para crescer e ser quem eu sou. Sempre tive segurança de fazer apenas o que eu gosto. Terminei dois relacionamentos longos, sem sentir o menor medo de recomeçar. Os homens que me viram crescer, me disseram que eu não dependia deles para ser feliz.

O homem que cuidou de mim nunca me disse que eu era uma princesa, mas alguém capaz de cuidar de mim mesma. Ele segurou a minha mão nos momentos de medo, mas também me disse; VÁ!


Os homens que eu conheço não odeiam as mulheres!



 Esses homens ainda andam de mãos dadas com suas queridas...


Eles ainda colhem flores para levar pra elas...

Esses são os homens que fazem parte da minha vida!

São pessoas que eu admiro e respeito.

São homens que todas as mulheres do mundo deveriam ter ao lado delas.

São homens de verdade. Exemplos que quero que o meu filho siga.

Esse é o homem que estou criando em casa!

Estou ensinando-o a amar as mulheres, respeitá-las, admirá-las e tratá-las com igualdade.
Estou ensinando o que aprendi com os homens que convivi: ser honesto, trabalhador e ter um bom caráter.

Eu não aprendi a odiar o homens. Essa é a minha realidade, a única experiência da qual posso falar.

De resto preciso compreender mais e melhor todas as mulheres que aprenderam a odiar os homens, que foram, e ainda são, maltratadas, agredidas, desrespeitadas e que precisam de mim ao lados delas.

Eu quero dizer à essas mulheres: eu estou do seu lado!

Aconteceu...

Tanta coisa aconteceu desde que postei aqui pela última vez...
Por um tempo perdi completamente a vontade de escrever e postar, mas agora, quase dois anos depois a vontade de escrever voltou.

De todas as coisas que aconteceram nesse hiato de blog, as mais legais, foram...

 Teve praia, muita praia!

 Teve os sorrisos mais deliciosos de todos os tempos...

Teve aniversário de 1 aninho...

Teve muito, mas muito charme...

Teve um montão de selfies...

Teve gente aprendendo a andar...

Teve descobertas e encantos...

Teve coragem!

Teve aniversário de 2 aninhos

Teve amigos!

Teve Natais...

Teve Anos Novos!

Teve crescimento...

E muita diversão!