sábado, 28 de agosto de 2010

Lição de Casa

Ainda não contei?
Estou fazendo um curso muito legal - comunicação escrita - lá na FAAP.
Vamos ver se agora aprendo a escrever direitinho e me inteiro das novas regras ortográficas.
Já fiz duas aulas e estou simplesmente amando tudo e todos. São apenas doze alunos e os professores são ótimos.

Já no primeiro dia de aula o professor diz:

- Tragam na próxima aula um texto descrevendo, com olhar poético, um desastre automobilístico.

Então tá! Se o Jorge de Lima conseguiu traduzir em poesia uma tragédia aérea. Vamos lá!
Eis a minha primeira lição de casa:

"Estamos em 1955. Um Porsche 550 voa com sua estrela pela estrada californiana. No ar o cheiro da bebida e do fascínio pela velocidade. Na direção contrária um Ford também vem com pressa.
.
O Golden Boy acende o cigarro e acelera ainda mais sua máquina prateada. A primeira tragada, uma pequena distração e um cruzamento. Então um susto e um barulho ensurdecedor. O Porsche explode em mil pedaços de encontro ao Ford Tudor.
.
De repente tudo é silêncio e sem movimento. O cheiro de óleo e sangue se espalha no ar. A borracha dos freios marca o asfalto como uma imensa cicatriz.
O rosto angelical está desfigurado. A camiseta branca vai rapidamente se colorindo de vermelho. É a jaqueta preta de couro que agora voa pelos ares. O jeans e a coluna do moço loiro são simultâneamente rasgados pelas cruéis ferragens.
.
Ao seu lado o amigo chora a perna quebrada. No Ford apenas arranhões, mas o rebelde sem causa se cala para sempre a caminho do hospital. Agora, sem pressa alguma, repousa em paz em Indiana o eterno jovem que o 'Pequeno Bastardo' fez imortal."

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um Peixe Chamado Antônio

Os ambientalistas e protetores dos animais que me perdoem, mas preciso contar essa história.
Devo adiantar que sou casada com um vegetariano convicto, quase um militante do PETA, e que eu mesma sou totalmente a favor da proteção aos animais. Já fui parar até numa delegacia em defesa de um deles - mas essa é uma outra história. No entando, confesso que tenho uma boa parcela de culpa na história do peixe chamado Antônio.
O peixe chegou em nossa casa pelas mãos da minha filha Bia. Menina trabalhadora, desde os quatorze anos fazia free lancers como monitora num buffet de festas infantis. Um dia, depois de uma das festas, chegou em casa apressada, toda esbaforida pedindo ajuda. Além da mochila e sacolas, numa das mãos trazia um saquinho daqueles transparentes com o tal peixinho dentro. Um beta azul belíssimo com suas enormes nadadeiras. Ele era uma das lembrancinhas que sobraram da festa inspirada na Pequena Sereia.
Na falta de um aquário o colocamos numa tigela e imediatamente foi batizado de Antônio pela Bia. Segundos depois, uma das duas ilustres moradoras felinas da casa já estava rondando a escrivaninha onde a "casa" provisória do Antônio foi colocada. Como a Maria é totalmente antissocial, a Augusta se encarregou de inspecionar o novato. Ali mesmo na nossa frente a audaciosa já estava implicando com o novo morador. A gata foi expulsa e a porta do quarto passou a ser trancada e vigiada.
Gatos e peixes realmente não dão certo como animais de estimação simultâneos. Bastava alguém esquecer a porta do quarto aberta que dona Augusta, de prontidão, invadia o recinto e "atacava" a tigela com o peixe. Depois de uns três flagrantes, compramos um aquário com tampa.
O Antônio crescia belo e formoso, tão belo e formoso quanto é permitido aos betas crescerem belos e formosos.
Numa tarde, a Bia havia saído e eu estava no banho quando ouvi uma barulheira danada no quarto. Saí às pressas e cheguei há tempo de salvar a vida do Antônio. O aquário estava caído na escrivaninha, a água espalhada por tudo e o peixe se debatendo no chão enquanto uma gatinha muito cara-de-pau assistia ao desespero do peixe. Por sorte o aquário não quebrou. Expulsei a felina maquiavélica do quarto, troquei a água e limpei tudo. O Antônio sobreviveu e a vigilância foi reforçada.
Algum tempo depois, bem no início de dezembro, recebi a visita de minha mãe. Feliz por tê-la conosco e por estar de férias, não paravámos em casa. Passavámos o dia todo indo à lugares que ela queria rever, fazendo compras e passeando pela cidade. Mal chegávamos em casa e já saíamos de novo. Numa dessas chegadas e partidas apressadas o mal se fez.
Nós havíamos acabado de chegar do shopping carregadas de sacolas e pacotes, entramos em casa e encontramos a Bia de saída. Ainda gritou da porta: "se forem sair não esqueçam de trancar o Antônio!"
Entramos no quarto dela, colocamos as coisas sobre a cama e lembramos que tínhamos horário marcado no salão e estávamos atrasadas. Saímos logo em seguida e apressadas nem nos lembrando da existência do Antônio.
Duas horas depois, quando voltamos orgulhosas do nosso novo visual, a casa vazia e silenciosa não denunciava nada de anormal, até que minha mãe entrou no quarto e gritou:
- Ai meu Deus! O Antônio!!!"
Corri para o quarto, mas já não havia mais nada a fazer, o pobre Antônio jazia no chão, o aquário espatifado e a água toda espalhada.
Depois de sepultarmos os restos mortais do Antônio na privada, desoladas minha mãe eu nos desesperamos: "a Bia vai nos matar!" Foi então que eu tive a brilhante idéia de atravessar a rua e tentar encontrar outro peixinho beta azul na Pet Shop da esquina.
Minha mãe, totalmente cúmplice, foi junto para ajudar a encontrar o peixe perfeito e um novo aquário. Demos sorte! Encontramos um peixinho idêntico ao Antônio e um aquário igual ao anterior. Corremos para casa e limpamos tudo. Nenhum vestígio do assassinato!
Mais tarde, estávamos na sala vendo tevê e nem nos lembrávamos mais do que tinha acontecido. Minha mãe, solidária, tinha concordado em não dizer palavra alguma sobre a morte do peixe. Em seguida a Bia entra em casa, passa na cozinha, come alguma coisa e vai para o quarto.
- Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!! Cadê o Antônio???? O que vocês fizeram com ele? Esse aqui não é o Antônio! O Antônio tinha uma pintinha preta do lado esquerdo da cauda dele e era bem maior que esse!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

comer, rezar, amar

comer

rezar

amar

Longe de ser o best seller da Liz Gilbert, 'comer, rezar, amar' descreve bem tudo o que tenho feito nos últimos dias.
Depois de oito anos na mesma empresa, mandei tudo às favas. Há muito já estava descontente lá. Há pelo menos três desses oito anos, levantar todos os dias e me dirigir àquele lugar não passava de um suplício para mim.
Até que demorei para dar uma de louca de novo - casar com um cara quinze anos mais jovem que eu, depois de menos de um mês, não conta. A última vez que eu tinha exercido todo meu potencial de loucura foi em 2002, quando vendi o apartamento que morava, coloquei todas as minhas coisas num depósito e me mandei com a minha filha aqui para São Paulo, sem emprego, sem casa e sem conhecer praticamente ninguém.
Eu sobrevivi à mudança louca para Sampa e muito provavelmente irei sobreviver ao desemprego atual também.
E aqui estou há uma semana: comendo que nem louca, rezando para encontrar um emprego ou qualquer coisa que me dê sustento logo e amando o Diego ainda mais que há um ano atrás.
Eu ainda não sei como vou resolver essa nova situação, mas sei que de alguma forma as coisas vão se arrumar. Eu já passei por coisas parecidas e a experiência me ensinou que sempre acaba acontecendo alguma coisa e tudo acaba se resolvendo.
Hoje de manhã tive uma conversa bem estranha com o Diego e minha amiga Tamy - conversa que o Diego preferiu chamar de 'seu discurso'. O fato é que essa conversa me deixou um pouco desiludida. Nem sei como começou, só sei que de conclusões do filme 'A Origem', passamos pelas nossas crenças religiosas - eu sou espírita, o Diego budista e a Tamy mórmon -, falamos sobre a crueldade humana e no final eu estava bem deprimida.
Acabei pensando, mais uma vez, no quanto não sei absolutamente nada de nada. Que não sei de onde viemos e nem para onde estamos indo. Pensei nas minhas perdas e danos e sinceramente, achei que bem pouca coisa nesse mundo me interessa.
Pensei que ia ficar realmente maus depois de pensar nessas coisas, afinal de contas a minha vida não anda lá cheia de flores e arco-íris: minha filha foi morar com o pai e tem pelo menos uns dois meses que nem nos falamos direito, estou longe de 99,9% da família e amigos, acabei de mandar meu emprego para o espaço, o amigo mais querido que já tive em toda minha vida não faz mais parte desse mundo, minha tia mais carinhosa também já foi embora, tenho infinitas dúvidas sobre tudo e às vezes me sinto mesmo um barquinho à deriva - como bem definiu o Diego.
Em seguida o Diego foi trabalhar, a Tamy ficou tão quieta que nem parecia estar aqui e eu tentei ver o filme 'O Lobo da Estepe' baseado no livro do Herman Hesse, e depois de uns quinze minutos de filme decidi que não era uma boa fazer isso, não hoje.
Por um milagre qualquer, depois de toda essa conversa maluca, eu acabei me recuperando rápido. Me levantei depressa, fui para a cozinha e enquanto lavava a louça alguma coisa aconteceu, não sei dizer exatamente o que, mas me deu um estalo e eu senti uma vontade louca de escrever, de criar, de fazer alguma coisa acontecer- por menor que fosse.
Decidi então fazer um outro blog e disponibilizar para qualquer pessoa que exista nesse vasto universo a minha história com o meu avô.
A editora que se interessou pelo meu livro está demorando demais para me dar qualquer parecer que seja. Meu editor simplesmente sumiu e todas as pessoas do mundo inteiro me dizem que essas coisas são realmente demoradas, no que eu preferi acreditar. Como muitos amigos queridos começaram a me cobrar, querendo ler meu livro, hoje resolvi fazer o tal blog.
Não sei se isso será bom ou ruim, mas acho que o que eu quero de verdade é que as pessoas conheçam essa história e sendo assim, tanto faz a forma com que isso aconteça.
Se você é um desses que estão querendo ler o meu livro, entra lá: meu avô & eu.
Espero que as pessoas realmente gostem, que se divirtam e se emocionem e depois venham me dizer o que acharam. Porque é verdadeiramente angustiante para um escritor não saber o que aconteceu depois.
Enquanto isso eu vou ficar aqui: comendo ruffles, rezando para as pessoas gostarem do meu livro e quem sabe uma editora menos lenta se interesse por ele e amando ainda mais o Diego e essa minha vidinha maluca.