quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Diário de um Ansioso

[Crise de ansiedade!
Ela surge quando você menos espera. Às vezes quando você está até dormindo. Então você desperta sentindo as piores sensações que já experimentou. Mas, antes disso o seu dia tinha começado tranquilo. Você estava ali fazendo suas coisas, resolve tomar o seu café da manhã tranquilamente. Você até percebeu que, naquela manhã, o seu coração estava ligeiramente mais rápido que o normal, mas não dá muita bola: "Pode ser apenas meu sedentarismo", você pensa. E então começa a avalanche.

Sem se dar conta, já está pensando em vários, vários mesmo, assuntos ao mesmo tempo. Está, desde que abriu o olho, pensando e sentindo mil coisas: "aquela conversa meio esquisita que tive ontem com a minha amiga pela manhã quando fui correr (eu preciso conversar direito com ela e explicar que quando disse a palavra esquema, não estava pensando nada demais, juro!)" , "aquelas mensagens visualizadas e não respondidas no meu messenger (o que será que aconteceu? Por que fulano, ciclano e beltrano não me responderam? Será que eu fiz alguma coisa que não gostaram?)", "e a fulana que combinou algo comigo pro final de semana e agora sumiu... nem me responde?". Aquela frase, às vezes uma única palavra, que alguém te disse e lá nas entrelinhas soou como um quêzinho de reprovação e você já está há dois dias martelando naquilo: "Adriana, você precisa parar de se colocar tanto nas histórias todas.", ou "a amiga que disse, no telefone que 'nem tudo tem a ver com você Adriana!'. Ah! essa mesma amiga que está indo embora e você está, desde a semana passada revivendo na sua cabeça todos os momentos que passaram juntas, sofrendo pela distância que vão ficar, sofrendo pelas crianças que não vão mais brincar juntas...".

Enquanto isso, aquelas malditas músicas - do filme, que você assistiu no cinema faz oito dias - ainda estão sendo tocadas em looping na sua cabeça. Bastou abrir o olho de manhã e elas já estavam lá. Não, não uma, mas aquela mistura de: "Bringing on the dancing horses / Headless and all alone / Shiver and say the words / Of every lie you've heard...", "Conga lá conga, conga conga conga", "...e no balanço das horas tudo pode mudar...", "...ela foi dar mamãe, foi dar um serão extra", "...esses humanos que circulam pela cidade ai afora...".

 Tudo, absolutamente tudo, que acontece à sua volta, você percebe, sente e pensa sobre o assunto o tempo todo. Sim! Eu disse o tempo todo. Parece, só parece que você não está prestando atenção na conversa. Na verdade você não apenas está prestando atenção na conversa, mas também em cada mísero detalhe do que está acontecendo entorno: "o passarinho do vizinho - preso coitado - cantando enjaulado", "o tom de voz do seu interlocutor - hoje ele está mais animadinho aqui conversando comigo.", "a linguagem usada, os carros passando na rua, os aviões - que estão passando certinho hoje de 2 em 2 minutos.". "A TV ligada - la no quarto - passando o filme Star Trek, a TV - na sala - passando o jornal - Lula tá chamando Palocci de mentiroso". Tudo isso junto com aquelas músicas do filme - que você ouviu incansavelmente nos anos 80 e que agora, nesse instante,  você está lá nos 80 de novo. Tudo junto com a conversa que tá rolando na mesa do café.

Enquanto responde a pergunta - que nem tinha sido feita - sobre a razão das mulheres culparem outras mulheres - e não os caras - por uma traição. Você está pensando: "puxa tenho que lavar o outro tênis, e tenho que lavar direito - igual lavei ontem - porque da última vez, me confessaram que ele não ficou bem lavado e eu não posso lavar mal alguma coisa.", Isso tudo junto com as milhares, sim milhares, de lembranças que o assunto na pauta principal - na mesa do café - está despertando em você. E você se empolga. Vai falando tudo que vai lembrando sobre o assunto, enquanto pensa no pão que tá comendo: "puxa hoje era pra eu não comer carboidrato, que merda! Como eu vou emagrecer os 6 kgs que preciso, pra baixar a minha glicemia e diminuir minha ansiedade, desse jeito? Ahhh, amanhã eu vou começar a caminhar pra valer, das 6:30 às 7:30 - com ou sem ajuda".

"Sim! mesmo tendo levantado pra responder um mensagem do messenger que você leu e não tinha respondido. Você continua prestando atenção no assunto da mesa. Ao mesmo tempo está pensando em como resolver cada uma das complicações que acha que tem de resolver: "mais tarde vou ligar pra fulana e perguntar se ela tá chateada comigo porque não parei aquele dia pra falar com ela na porta do prédio - deve ser por isso que ela não me respondeu.", "vou liberar a minha amiga, de vez, e ir caminhar, sozinha, um pouco mais cedo - depois eu vejo como fazer isso."...

Sim! você é muito, muito, intensa. Sabe porque chora diante de o Banco de Saint Remy, no Masp? Porque simplesmente você se lembra de cada sentimento que o livro (e os filmes) sobre Van Gogh te despertaram. E quando está lá, olhando o quadro se sente exatamente lá, no sanatório de Saint Remy, na janela do quarto, onde o Van Gogh está trancado, olhando aquele banco junto com ele. Sente a dor que ele sentiu. Naquele instante é capaz de saber como ele se sentiu trancado lá, olhando aquele banco.

Sabe por que chora olhando aquelas fotos, documentos, camas, o próprio museu - aquele espaço onde outrora foi a hospedaria que hospedou aquela gente, etc. - no Museu da Imigração? Quando vê aquelas fotografias, aqueles rostos tristes, confusos. Você está lá junto deles. Naquele instante você é a sua trisavó Armelinda, com 23 anos de idade, em 1896, com o seu bisavô Angelo, aos 2 anos e meio, sentada naquele banco pensando que deixou toda a família lá em Collelongo, do outro lado do mundo, e está ali agora sentada - pode até que seja ela mesma na foto - pensando na incerteza toda daquele momento. Sente a angústia, o medo, as preocupações todas dela, sem saber que rumos sua vida tomará.

Sim, você é extremamente dramática! Ainda hoje, 43 anos depois, chora, pensa e sente a dor, da separação de você e sua irmã. Sente exatamente a mesma angústia que sentiu, quando tinha 2 anos e 10 meses, quando te separaram da sua irmãzinha. Ainda pensa nisso e ainda sente a mesma dor. Sofre por cada situação que gostaria que ela tivesse estado ao seu lado: a infância e as brincadeiras não realizadas, a adolescência não vivida juntas, a juventude, todas as histórias que não dividiram... e pensa nisso - ou coisas parecidas com isso -  quase todos os dias. Você se lembra do seu avô, da sua tia, do seu primo e da sua bisavó Adelaide - que morreu há 35 anos. E sabe exatamente onde estava e o que sentiu em cada momento que esteve com eles. A bisavó Adelaide, por exemplo,  faleceu no dia 14/09/1982 às 15:00 e você estava saindo para o recreio, na aula, ao lado da sua amiga Isabel Cristine, quando sua tia veio te chamar pra ir pra casa e se preparar para ir ao velório dela. Você tinha 10 anos. Ainda sente a mesma dor, o mesmo vazio e tristeza que sentiu quando te contaram o que tinha acontecido pela primeira vez. Da mesma forma que se lembra de todas as outras alegrias e tristezas que passou com cada pessoa importante pra você.

Sim, você pensa nisso tudo, sente isso tudo enquanto o seu interlocutor apenas diz algumas frases ou te conta sobre o documentário do Herzog (não o jornalista da ditadura, mas o cineasta) que ele viu anteontem. (Sim você sabe que falaram disso ontem, mas é só um exemplo de como as coisas funcionam na sua cabeça). E pensa nisso tudo enquanto fala da casa que tinha, lá em Lucas do Rio Verde, e conta as histórias que lembrar relacionadas a isso."

Então, o café da manhã acaba. Cada um vai fazer as suas coisas. E você coloca em ação algumas das coisas, que pensou enquanto tomava seu café, enquanto repassa tudo, absolutamente tudo, o que conversou no café. Pensa no quanto falou, analisa cada detalhe da conversa, percebe o quanto talvez tenha sido deselegante - por falar tanto e ter ouvido pouco, por ter interrompido ou se colocado tanto nos exemplos e histórias e lembranças pessoais - e termina se sentindo extremamente culpada pela conversa não ter sido mais prazerosa para o outro.

Vai passar o dia sentindo, e lembrando de todas as outras vezes que falaram sobre isso. Vai ficar extremamente triste, se sentindo culpada por não ter conseguido controlar isso. Por não ter conseguido sossegar esses pensamentos e sensações que povoam sua mente a cada instante. Então você vai passar o dia inteirinho remoendo sobre essas coisas. Ao mesmo tempo em que corre pra fazer todas as coisas que você tem que fazer e se preocupa intensamente com cada uma delas: "preciso colocar a casa em ordem", "dar comida pro meu filho na hora certa", "prestar atenção em cada detalhe de tudo que faz perto, e com ele, para não influenciá-lo com as suas ansiedades". Ai você já vai começar a se preocupar com tudo o que precisa se concentrar e fazer para que ele não herde essa ansiedade, mais do que os 50% genéticos que você já passou pra ele.

Enquanto faz essas coisas todas, você já está ali pensando, seriamente, em tudo o que leu e pesquisou a respeito de uma educação infantil livre de pressões e outras coisas que poderão causar ansiedade no seu filho. Dai vai começar a lembrar e pensar e sentir, de novo,  tudo o que você descobriu que te tornou assim ansioso.

O título para essa postagem é "diário de um ansioso", mas na verdade isso tudo que foi escrito aqui - incluindo escrever primeiro num caderno e depois passar aqui pro blog - aconteceu das 8:30 até quase 10:00. Esse foi apenas um pedacinho do que pensei e senti na manhã de hoje, em apenas duas horas da minha vida.

Quando chegar o final do dia vai se dar conta de que passou o dia todo, cada segundo do seu tempo preocupada com alguma coisa, enquanto tentava se manter atenta ao presente e em tudo que estava acontecendo a sua volta. E quando a noite chegar, quando menos esperar toda essa energia, todos esses pensamentos e sentimentos vão explodir dentro de si de alguma forma: o coração vai acelerar, as mãos e pernas poderão começar a tremer incontrolavelmente. Vai chorar, sentir uma angústia absurda, sentir os músculos contraírem e naquele instante vai pensar em todas as coisas que aquelas sensações podem causar fisicamente em você. Vai fazer um esforço absurdo para se convencer de que não está morrendo e nem deixando todas as coisas - vai pensar em cada uma delas - que não quer deixar. Quando finalmente conseguir se controlar e dominar um pouco a mente, vai cair exausta, com o corpo extremamente dolorido- como agora - e finalmente dormir.

Esse texto não será revisado. Senão, seria capaz de perder o dia  tentando deixar esse texto o mais perfeito possível. E não revisar, faz parte do processo pessoal de cura. Se vir algum erro, ignore. ]

Só queria que soubesse como eu me sinto na maior parte do meu tempo.

P.S.: já revisei duas vezes =(

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quinta-feira, 20 de abril de 2017


Sim! Eu estou tão cansado, mas pra não dizer que eu não acredito mais em você. Com minhas calças vermelhas, meu casaco de general, cheio de anéis...

A minha avó

"A minha avó
Magrinha, magrinha...
Baixinha, baixinha, quase nenhum cabelo branco, mesmo tendo quase 87 anos.
Faz pão quentinho, bolo com goiabada e sonhos.
Faz casaco de tricô, torra café, sabe fazer sabão caseiro.
Tudo o que ela coloca na terra, nasce e vira flor bonita.
Teve cinco filhos - uma virou anjo.
Teve quatorze netos - um é anjo também.
Tem treze bisnetos - todos saltitantes por ai."
Adriana Mani - 2016

domingo, 25 de setembro de 2016

Partidas e chegadas

Eu estava triste. Pensava no meu pai-avô Domingos e na minha tia Isa, que faleceram há algum tempo.
Lembrava de como éramos felizes na presença deles. De como ríamos tanto quando estávamos juntos.

Fiquei um bom tempo me lamentando, silenciosamente, essas ausências tão dolorosas. Pensando na falta absurda que eles fazem. No quanto a vida mudou desde que eles se foram.

Perder aquelas pessoas que eu tanto amo, foi devastador. A vida ficou tão incompleta. Todos os dias vejo alguma coisa que me faz lembrar deles, que eu gostaria de mostrar ou contar para eles.

Vejo coisas que eles iriam gostar de ver. Faço coisas que teria adorado fazer junto deles. E, mesmo quando não estou diretamente pensando neles, sinto que falta alguém naquela conta.

É aquela piada que só eles entenderiam, porque estavam lá com você. É a frase que só teria efeito neles. É aquela mania que nós tínhamos em comum.

Não é que eu passe o tempo todo pensando neles e na falta que eles fazem, mas mesmo depois de quase dez anos, tem coisas que só fariam sentido com eles. Essa é a parte mais dolorosa de seguir adiante depois de perder pessoas tão importantes. Você nunca vai se acostumar. 

Pode até doer menos, se conformar, se ajustar, se adaptar, mas aquela ausência vai ser sentida, de alguma forma, pelo resto dos seus dias. Algumas vezes as lembranças serão divertidas - felizmente a maior parte delas - e em outras as lágrimas serão inevitáveis.

Terão dias que o único colo que você irá querer será justamente o deles e esses dias serão os mais difíceis.

Estava absorvida em meus pensamentos quando meu filho, de três anos, me interrompeu pedindo um abraço. E esse abraço foi tão reconfortante que me trouxe de volta ao presente.

Então eu me dei conta de que nossos entes queridos nunca vão embora de fato. Eles ficam conosco para sempre. Em nossas lembranças, nas coisas que aprendemos com eles, nas coisas que fazemos iguais a eles e que iremos passar adiante. 

Os queridos da nossa família vão ficar eternamente conosco e a vida não é injusta. Para cada um daqueles que ela levar, vai te mandar muitos outros... E eles não vão parar de chegar. Desde que meu avô e minha tia se foram, chegaram na família: a Maria Luísa, a Ana Clara, o Guilherme, o Maicon, o Kauã, o Nicolas, o Miguel,  a Alice,  a Bruna Luísa, o Arthur, o Tomás Domingos, outra Alice...

Sem perceber estava feliz de novo, contando para o Tomás Domingos como era engraçada a risada do bisavô xarazinho dele.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Os homens da minha vida!


Outro dia a Fernanda Torres escreveu um texto, "Mulher", e muita gente a criticou dizendo que ela escreve baseada nas próprias experiências, etc e tal.

Mas é óbvio que as pessoas todas escrevem, sentem e tem opiniões baseadas em suas próprias experiências. A gente fala do que a gente conhece, ou então vai falar bobagens... Já é tão complicado falar daquilo que a gente sente e vive, imagine falar daquilo que não vivenciamos.

A gente pode se solidarizar, pode compreender o outro através da experiência que ele nos passa. Podemos nos indignar com o que vemos, brigar em nome deles, mas só podemos falar com confiança daquilo que sentimos em nossa própria pele.

Quando a Fernanda veio à público pedir desculpas pelo seu texto, eu também parei para analisar um pouco as coisas que eu penso em relação à mulher. A mim, também, sempre pareceu exagerada essa "briga" pelo tal empoderamento feminino. Então comecei a questionar meus sentimentos em relação à essas questões todas e a necessidade da mulher se impor, coisas que a mim sempre pareceu um drama exagerado e até uma espécie de competição com o macho - salvo, claro, os casos extremos de agressões e todo tipo de atrocidades que são impostas à algumas mulheres, que chegam ao meu conhecimento.

E por que raios eu não conseguia ver mais além? Por que não conseguia entender, de verdade a luta dessas mulheres? Lendo o "Mea Culpa" da Fernanda, fui capaz de compreender algumas coisas.

Obviamente é complicado, a mim - também branca de classe média, que viveu quase a vida toda em cidadezinhas do interior, onde o filho do prefeito e do coveiro estudavam na mesma escola - compreender de verdade a luta dessas mulheres. Além de ter vivido numa pequena cidade onde todo mundo se conhecia e era quase que como uma imensa família morando no mesmo lugar, eu tive a felicidade e a SORTE, de ter convivido a vida toda com homens maravilhosos. 

Consegui chegar aos 44 anos sem ser ofendida, física ou moralmente, por homens. Talvez eu seja distraída demais e algum engraçadinho tenha passado desapercebido por mim, mas nunca houve nada que me fizesse sentir ódio dos homens. Eu convivi com idiotas, é claro, mas nunca deixei que me afetassem. Os poucos otários que cruzaram o meu caminho, foram tão insignificantes que nesse momento sequer consigo me lembrar de algum deles.

Eu fui criada pelo meu avô Domingos, uma das criaturas mais lindas que já existiu nesse mundo. Homem honestíssimo, trabalhador, bom marido, bom pai e unaminidade entre todos os que o conheceram como uma pessoa de bom caráter. O meu avô me ensinou valores e lições que levarei por toda vida. E me ensinou a não me curvar diante das dificuldades.

Nunca ouvi em minha casa uma única palavra que fosse de discriminação, preconceito ou racismo. Apesar da origem européia e de conhecidamente ter vindo de uma família durona e em alguns casos meio racista, isso não afetou o meu avô. Ele não! Ele pode ter tido outros defeitos, mas não era um homem machista. Sempre fez questão que suas filhas estudassem e desde novinhas trabalhassem. Apoiou a esposa estudar mesmo adulta. Estudar, em minha casa, sempre foi questão de honra para o meu avô, mesmo sendo ele próprio semi-analfabeto. Os filhos não, esses ele fez de tudo para que estudassem e tivessem o melhor.

Eu tive bons professores, bons tios, bons amigos, bons namorados e lindos exemplos. 

Os homens com os quais convivi e convivo são aqueles que amam as suas mulheres e as tratam com admiração e respeito. Meu tio João, à esquerda, tem 90 anos e é casado à 76 anos com a minha tia Emília, e ele ainda hoje diz que ela é o amor da vida dele. 


Os homens com os quais eu convivo, não se curvaram ao racismo e ao preconceito, como o vovô Joaquim, avô do meu esposo, que se casou há 57 anos com a vovó Maria, mulher negra e pobre. Só Deus sabe o que eles passaram para estarem juntos, mas sobreviveram e tiveram muitos filhos. Todos bem criados e pessoas boas. Os homens que eu convivo nunca me falaram que eu era inferior à eles. Pelo contrário, foram eles que me disseram que eu podia ir tão longe quanto quisesse.

Os amigos que eu tenho, são homens conscientes, que tratam com amor as suas mulheres e seus filhos. São pessoas que se importam com o que acontece à nossa volta e estão empenhados em deixar um mundo melhor para seus filhos.
Eu não tenho um único amigo machista, que olha a mulher de cima, como se menos importante que eles fossem. nenhum deles nunca me olhou assim. Eu realmente tenho muita SORTE!



O marido que eu escolhi é a pessoa mais encantadora e bondosa que eu já conheci. Ele me ama, me cuida, me respeita, me admira e é a pessoa que mais me coloca pra cima quando estou meio deprê. É daqueles pais que trocam fraldas, dão banho, contam histórias e dão papinha. É o tipo de homem que coloca o filho dormir e vem me perguntar o que eu achei do texto que ele me mandou pra ler. Pede ajuda, dá ajuda e é a pessoa que eu mais confio nesse mundo. Não apenas como marido, mas como o meu melhor amigo.


É, sem sombras de dúvidas a pessoa que mais me conhece, e mesmo assim me quer ao seu lado.

Eu jamais poderia entender de fato, qual é o espaço que as mulheres tanto reclamam, porque eu simplesmente sempre tive o meu espaço para crescer e ser quem eu sou. Sempre tive segurança de fazer apenas o que eu gosto. Terminei dois relacionamentos longos, sem sentir o menor medo de recomeçar. Os homens que me viram crescer, me disseram que eu não dependia deles para ser feliz.

O homem que cuidou de mim nunca me disse que eu era uma princesa, mas alguém capaz de cuidar de mim mesma. Ele segurou a minha mão nos momentos de medo, mas também me disse; VÁ!


Os homens que eu conheço não odeiam as mulheres!



 Esses homens ainda andam de mãos dadas com suas queridas...


Eles ainda colhem flores para levar pra elas...

Esses são os homens que fazem parte da minha vida!

São pessoas que eu admiro e respeito.

São homens que todas as mulheres do mundo deveriam ter ao lado delas.

São homens de verdade. Exemplos que quero que o meu filho siga.

Esse é o homem que estou criando em casa!

Estou ensinando-o a amar as mulheres, respeitá-las, admirá-las e tratá-las com igualdade.
Estou ensinando o que aprendi com os homens que convivi: ser honesto, trabalhador e ter um bom caráter.

Eu não aprendi a odiar o homens. Essa é a minha realidade, a única experiência da qual posso falar.

De resto preciso compreender mais e melhor todas as mulheres que aprenderam a odiar os homens, que foram, e ainda são, maltratadas, agredidas, desrespeitadas e que precisam de mim ao lados delas.

Eu quero dizer à essas mulheres: eu estou do seu lado!

Aconteceu...

Tanta coisa aconteceu desde que postei aqui pela última vez...
Por um tempo perdi completamente a vontade de escrever e postar, mas agora, quase dois anos depois a vontade de escrever voltou.

De todas as coisas que aconteceram nesse hiato de blog, as mais legais, foram...

 Teve praia, muita praia!

 Teve os sorrisos mais deliciosos de todos os tempos...

Teve aniversário de 1 aninho...

Teve muito, mas muito charme...

Teve um montão de selfies...

Teve gente aprendendo a andar...

Teve descobertas e encantos...

Teve coragem!

Teve aniversário de 2 aninhos

Teve amigos!

Teve Natais...

Teve Anos Novos!

Teve crescimento...

E muita diversão!









terça-feira, 12 de agosto de 2014

Dia desses no parquinho

Costumo levar o Tomás quase todas as tardes ao Parque, do Ibirapuera, ou então numa pracinha que tem pertinho de casa.

Numa dessas tardes chegamos no parquinho e demos de cara com uma garotinha linda, de uns 2 anos. Estava vestida dos pés à cabeça com coisas da Galinha Pintadinha. Devorava vorazmente um bombom e segurava na outra um pacotinho de bolacha recheada.

Tirei o Tomás do carrinho, tirei as meias dele, o soltei na areia e fui sentar para ler meu livro.

A garotinha foi se sentar num tapete repleto de baldinhos, pazinhas, bonecos, forminhas e mais um monte de quinquilharias... Obviamente o Tomás foi interagir. Mal chegou perto a menina começou a gritar: "não pega meus brinquedos!". Diante da recepção tão amistosa, Tomás deu meia volta e foi explorar outros cantos do parquinho.

Eu nem consegui ler nada. A garotinha, que mais parecia uma mistura de bebê de Rosemary e Exorcista, não parava de chorar, de gritar e atirar coisas na mãe dela.

O Tomás é um bebê bem sociável, mas brinca super bem sozinho. Naquele dia só tinha ele e a "oncinha" no parquinho, então ele ficou engatinhando, andando e explorando tudo à sua volta.

Coloquei ele algumas vezes para escorregar, deixei-o, como sempre, bem livre e à vontade.
Depois de mais um menos 1 hora e meia brincando ele começou a bocejar. Então eu o chamei e falei:
"Vamos pra casa fazer uma naninha?".
Ele estendeu os bracinhos e veio comigo sem a menor resistência.

Nisso, a mãe da garotinha estava juntando as coisas dela também para ir embora. Meu Deus do céu! A menina começou a chorar e gritar compulsivamente. Se contorcia toda, se atirava no chão, foi um horror.

Enquanto eu colocava o Tomás de volta no carrinho a mãe se aproximou de mim e puxou papo:

- Nossa! Eu estava reparando, seu bebê é muito calminho! Que sorte você tem, viu? A minha tá com 2 anos e eu já não sei mais o que fazer para ela se acalmar: já comprei tudo que é DVD pra ela assistir, sabe de cor todas as musiquinhas, já coloquei na aulinha de artes, de música, na natação, tudo para ver se ela gasta energia e sossega um pouco, mas não tem jeito, nem dormir mais à tarde, que ela sempre dormia, não dorme mais.

Eu apenas sorri amarelo...

Ela continuou:

 - Que idade ele tem?

Eu:

 - 1 ano e 3 meses!

Ela:

 - Você dá alguma coisa pra ele?

Eu:

- Como assim?

Ela: 

- Ahhh! Algum calmante, um chá?


Eu:

- Eu não, imagina! 

Ela:

- Mas o que você faz para ele ser assim tão calminho e bonzinho?

Eu:

 - Bem... Eu não estimulo muito ele. Deixo ele brincar a vontade, afinal tudo que tem à volta dele já é novidade e estímulo suficiente para ele que acabou de chegar. Ele nunca viu TV na vida dele, nenhum DVD e ainda nunca comeu açúcar... acho que é por isso.

Ela:

 - Mas nem a Galinha Pintadinha ele assiste?

Eu:

 - Não! Mas ele brinca no parque quase todo dia!


Ela:

 - Tadinho!