quinta-feira, 17 de maio de 2018

Descansar é Preciso!

estresse
substantivo masculino 
O estresse é uma resposta do organismo (física ou mental) a um evento de esforço extremo ou importante, geralmente quando se sente ameaçado ou sob pressão. Essa resposta libera uma série de reações químicas no seu organismo, o que provoca reações fisiológicas.

O estresse, apesar de não ser o causador de problemas graves, desencadeia alguns destes problemas, pois quando a redução do sistema imunológico do organismo afeta um indivíduo mais vulnerável, sintomas podem surgir, como: sensação de desgaste constante; alteração do sono; tensão muscular; formigamento; mudança de apetite; alteração de humor; falta de interesse pelas coisas; problemas de concentração, atenção e memória; pensamentos acelerados; preocupações excessivas e constantes; dores; problemas intestinais; náuseas e tonturas; dor no peito; perda da libido; necessidade de subterfúgios para conseguir relaxar; hábitos nervosos (como roer unhas); entre outros... O estresse também pode desencadear algumas doenças, como: problemas de pele; cardíacos; gastro-intestinais; hipertensão; ansiedade; depressão; resfriados frequentes; alergias; enxaquecas; queda de cabelo; infecções; úlceras; infarto; derrame; vitiligo; psoríase; herpes; crises de pânico; entre outras.
Dito isso, vamos lá!
Eu passei boa parte da minha vida muito estressada. E ainda hoje convivo com estresse diário. Desde muito novinha sempre tive muitas responsabilidades e afazeres. Aos 16 anos já morava sozinha e tinha que trabalhar para comer e me sustentar. Casei muito cedo e aos 20 anos fui mãe pela primeira vez. Além de mim, passei a ter mais uma grande responsabilidade. 

As pessoas me diziam que eu tinha sido mãe muito jovem e eu pensava: "Cuidar de um bebê não é esse bicho de sete cabeças, afinal já cuido de crianças desde os 13 anos.". Eu estava certa, em partes. Realmente cuidar de um bebê não é o fim do mundo. Mesmo muito nova tomei conta da minha filha praticamente sozinha. Dei banho e cuidei do umbigo, fraldas, amamentação, doenças e todo aprendizado dela desde a maternidade. E adorava fazer isso. Eu só me dei conta de que as pessoas estavam certas quando minha filha entrou na adolescência. Eu não tinha a menor maturidade para lidar com uma adolescente. Eu tinha 33 anos e o mundo desabou na minha cabeça. 

Além de toda responsabilidade que eu tinha na vida: me manter e manter a minha filha, manter uma casa, um trabalho, minhas crises emocionais, tive que lidar com vários problemas que não estava nenhum pouco preparada para enfrentar. Resultado? Primeira crise de pânico aos 34 anos. Foi então que descobri que tinha transtorno de ansiedade. Do qual eu passei quase dez anos negando. Tive crises em 2005 que me levaram por três vezes ao pronto socorro. Em 2007 meu avô faleceu eu literalmente desabei. Passei a ter constantes crises de ansiedade que eu achava que poderia controlar. Pensava: "se é coisa da minha cabeça, se eu criei isso, eu vou resolver sozinha". Comecei a ler sobre o assunto e achei que conseguiria me cuidar sozinha.

Deu certo por algum tempo. Em 2008 estava com 67 kg. Decidi emagrecer (sempre que decido isso as coisas melhoram). Comecei a fazer caminhadas diárias, reeducação alimentar, fui ao endócrino e comecei a cuidar de mim. A coisa começou a andar bem. Enquanto estava fazendo exercícios e me alimentando bem não tive mais crises. Pensei: "me curei! Estou ótima!". E estava bem mesmo. Comecei a fazer o curso que eu queria na FEESP, depois fiz pós graduação e um curso de comunicação escrita na FAAP e a coisa realmente parecia caminhar. Em 2009 me casei novamente e eu não podia estar mais feliz.

Felicidade faz a gente desencanar das coisas. Fui ficando feliz e comendo cada vez mais. Muito aconchego no lar, vinhos e queijos, guloseimas e filminhos... Em 2010 eu já tinha bagunçado tudo de novo. Engordei, comecei a comer, de novo, um monte de porcarias e parei de vez de correr no parque. Só queria ficar em casa curtindo o meu casamento e minha vidinha que tava tão boa. Poderia ter feito isso, sim claro, mas sem me descuidar da saúde. Em 2011 publiquei o meu livro e quando vi as fotos do lançamento fiquei chocada com o tamanho que eu estava. Resolvi fazer um check up: meu colesterol tava alta, glicemia limitrofe e eu quase morrendo para subir as escadas. Em novembro de 2011 eu reagi. Junto com uma amiga querida, a Renata, montei um blog e com os incentivos em apenas 4 meses eu tinha perdido 10 kgs, já estava correndo 6 km 4 vezes por semana. Em março de 2012, nós corremos juntas 5 km na maratona de São Paulo. Os exames todos voltaram a ser maravilhosos e eu subia as escadas correndo na boa.

Em agosto de 2012 engravidei. Consegui manter um peso excelente na gravidez, aumentei apenas 7 kgs e cuidei muito bem da minha alimentação. Passei a gravidez toda com a pressão arterial ótima, sem ter maiores problemas, além dos habituais, numa gravidez. Tomás nasceu super saudável em abril de 2013. A grávida que caminhou até o oitavo mês, que cuidou tanto da alimentação e da glicemia. Virou uma mãe sem tempo pra mais nada. O bebê mamava de hora em hora e para compensar a falta de sono comecei a comer compulsivamente. Em poucos meses engordei tudo o que controlei na gravidez e mais um pouco. A minha vida, que já tinha muitos afazeres e responsabilidades virou uma loucura.

Diego e eu somos sozinhos, sem familiares, aqui em São Paulo. Então ele trabalha o dia todo (numa jornada de 10h) pra nos sustentar e o restante da carga diária é por minha conta. Além disso, eu nunca, em tempo algum, deixei de abraçar um trabalho com afinco. Eu literalmente abracei o mundo, o meu mundo. Centralizando tudo, fazendo tudo sozinha, achando que dava conta de tudo. Tomás estava com apenas 20 dias de nascido e eu com uma cesárea cicatrizando, eu pegava ele + carrinho + compras e descia e subia três lances de escadas. Ia ao mercado e carregava aquele todo sozinha escada acima. Lavava, passava, cozinhava, cuidava da casa, do filho, do marido e comia. Eu sempre tive problemas para dormir, mas eles se agravaram bastante nos últimos 5 anos. Há três anos, finalmente procurei ajuda psicológica, mas os problemas emocionais eram tantos que ainda não recebi alta.

Tinha dias que estava exausta, mas quando o Tomás dizia: "me leva no Ibira?". Eu pegava ele + bicicleta + uma sacola cheia de coisas e ia (escada abaixo e depois escada acima) com ele. Tivemos tardes incríveis, das quais jamais me arrependerei. Se há um arrependimento é de não ter passado mais tempo com ele no parque, em vez de ter trabalhando tanto limpando casa. Perfeccionista pensava: "minha casa tem que estar perfeita, roupa passada, faxina feita, filho alimentado e limpo, móveis lustrados, paredes pintadas (sim quando não tinha dinheiro eu mesma ia lá -  me achando a mulher maravilha - e lixava, pintava, arrumava, pregava varal, consertava porta...)". Fingia não ver o meu cansaço. Mesmo morrendo de sono ou muitas vezes de dor nas costas, eu levantava e ia lá estender a roupa, levar o lixo, lavar a louça, fazer um monte de comida. Eu estava exausta e não percebia. 

O resultado disso, todo mundo que me acompanha aqui sabe: eu fiquei gravemente doente. E mesmo diagnosticada com câncer eu não parei. Levo e busco filho na escola, lavo, passo, cozinho, faxino, limpo, vou ao mercado, subo compras pesadérrimas escada acima e há dez dias (pasmem!) lavei com cândida e pintei o teto da cozinha e do banheiro porque estavam manchados de infiltração. Em todo lugar que falava sobre paciente oncológico eu lia: "precisa descansar, relaxar, procurar algo prazeroso para fazer afim de passar mais leve por esse período de tratamento". E eu lá triplicando a minha rotina, pois além de tudo o que já fazia antes passei a correr atrás de: exames no hospital, alimentação saudável, terapias, assistências... Até ontem não tinha tido um dia de descanso, pra deitar nem que fosse uns minutinhos pela tarde e me refazer. Então as dores começaram aparecer.

Toda noite tenho tido dores pelo corpo. E a cabeça começou a criar monstros: deve ser metástase nos ossos, deve ser isso, deve ser aquilo. Até que ontem, na palestra da assistência, uma senhora (médica) falou comigo: "Olha muitas vezes essas lesões ósseas que aparecem na tomografia não tem absolutamente nada a ver com o tumor. Geralmente são lesões por traumas. Você carrega muito peso?". PLIN!!! Toda minha vida de exageros passou pela minha frente. Então ela me disse: "você está sobrecarregada! Física, emocional e mentalmente. Excesso de informações, excesso de trabalho, de preocupações... não admiro ter ficado doente.". E continuou: "essas dores que você sente são dores de exaustão, seu organismo não está mais dando conta disso tudo. Você precisa parar, se quiser se curar e se recuperar.".

Parar de pesquisar coisas que não vou entender sozinha, parar de querer resolver tudo imediatamente, parar de querer tudo perfeito, parar de não me dar um tempo, parar de não cuidar de mim... A minha terapeuta recentemente me disse: "acho que você não gosta de você.". E eu fiquei muito brava com isso: "claro que eu gosto, claro que eu me amo!". Hoje eu entendo o que ela quis dizer e tristemente reconheço: eu não estou me amando. Ao menos nunca demonstrei isso. Nunca me coloquei em primeiro lugar, nunca exigi um descanso pra mim mesma, nunca me rebelei, nunca apelei, nunca me permiti ser egoísta. Sempre e sempre vieram antes de mim todos a quem eu amo.

Eu precisei ser diagnosticada com um câncer, do qual eu ainda nem sei a gravidade, para finalmente ouvir o meu corpo gritando por socorro. Precisei ver duas lesões ósseas, silenciosas, na minha tomografia, para entender que eu não devia ter carregado tanto peso e tanto mundo na minha pobre coluna. Eu preciso parar, senão a vida vai me parar muito antes do tempo.

Eu não sei ainda como eu vou fazer. Não tenho dinheiro para pagar uma ajuda, por mais simples que seja. Não temos pessoas que possam aliviar um pouco a nossa carga. Diego precisa trabalhar para nos manter, nós precisamos comer, nos vestir e o Tomás de muitos cuidados. Daqui a pouco mesmo já tenho que sair correndo, à pé porque hoje é rodízio, para buscá-lo na escola, comprar coisas urgentes, voltar correndo, dar banho, fazer janta, arrumar tudo e eu estou exausta agora. Hoje consegui deitar por 20 minutos antes da minha terapia, mas nem consegui descansar, pois a cabeça estava a mil. Voltei da terapia e resolvi escrever aqui um pouco. Minhas costas já começaram a doer.

Hoje tive uma conversa muito esclarecedora com a minha amiga Cris. Eu preciso mudar meus hábitos urgentemente. Eu preciso me dar tempo, preciso ouvir meu corpo, preciso cuidar de mim antes de cuidar de outras pessoas. Se você não estiver bem não vai poder fazer isso de qualquer forma. Até numa despressurização no avião, eles te dizem: "Coloque a SUA máscara de oxigênio, DEPOIS ajude a pessoa ao seu lado!".

E o corpo da gente dá muitos sinais, como vocês têm visto nas minhas postagens. Eu tive pedras no rim, por não tomar água, tive crises de pânico e de ansiedade por estresse crônico e outras infinidades de pedidos de socorro do meu corpo. Eu não dei ouvidos aos chamados do meu corpo e agora estou pagando o preço disso.

Essa agora será uma das maiores prioridades na minha vida: eu vou cuidar de mim, parar de me exigir tanto e me dar ao luxo de deitar e descansar antes que seja tarde demais para mim. E você, que está me acompanhando, não precisa passar por nada disso. PARE! DESCANSE! SE PERMITA RELAXAR!

Eu vou colocar a minha "máscara de oxigênio" antes de ajudar alguém ao meu lado e você, por favor, faça isso também.

Falem comigo!
Orem por mim!
Torçam por mim!

Um beijo carinhoso.





terça-feira, 15 de maio de 2018

Enfrentando o medo

Hoje passei o dia no IBCC para fazer um exame chamado cintilografia óssea. É o exame que vai me dizer se tenho ou não algum tumor nos ossos.

Confesso que estava morrendo de medo. Não do exame em si, mas do resultado que esse exame pode ter. Das tantas incertezas e tantas inseguranças. Porque esse processo de estadiamento é muito angustiante. Talvez seja uma das piores partes. Não saber exatamente a extensão e gravidade da coisa.

Como não é um exame complicado, que não tem qualquer tipo de reação, eu fui sozinha. Cheguei às 10h. Você toma uma injeção com o contraste e 3h depois vai para a máquina que vai mapear todos os seus ossos.

Eu cheguei no hospital meio pra baixo. Estava bem insegura, mas enquanto esperava o primeiro procedimento conheci a Ivone. Uma mulher da minha idade, que terminou o tratamento e está fazendo acompanhamento. Posso dizer que tê-la conhecido fez toda a diferença no meu dia. Uma pessoa super alto astral, que enfrentou sua doença e o tratamento de cabeça erguida. Sem parar de trabalhar, indo muitas vezes sozinha na quimio e radioterapias. 

Passamos as 3h de espera juntas. Almoçamos, fomos caminhar pelo bairro, nos perdemos e nos achamos. Descobrimos que moramos no mesmo lado da cidade e ela resolveu voltar de carona comigo. Eu já tinha lido sobre isso, mas hoje também descobri que as "amigas de peito" são incríveis. São mulheres que já passaram pelo mesmo que você tá passando, são pessoas que realmente entendem o que você está sentindo e, talvez por isso, tem condições de te ajudar a sair da "caverna do medo". Elas já conseguiram sair dessa caverna e podem te ensinar o caminho.

Hoje a Ivone fez isso por mim. Me viu lá no cantinho, triste - pensando em tantas coisas, e principalmente no quanto quero ver o meu filho crescer - e veio falar comigo. Perguntou alguma coisa, que nem lembro mais o que era, e me tirou daqueles pensamentos sombrios de dor, lágrimas e medo. Segundos depois ela estava me contando de como ela encarou essa situação toda.

Ivone é uma mulher simples, trabalha como diarista, e não parou de trabalhar durante o tratamento. Ela me disse que não tem tempo de ficar triste ou de passar mal. Não passou mal em nenhuma sessão de quimio. Disse que no dia seguinte levantava tomava banho e ia fazer faxina na casa da patroa. Quando eu perguntei como ela conseguia, ela me respondeu: "quando você perde um filho aos 21 anos, nada mais é tão complicado. Se você sobrevive à morte do seu filho amado, você é capaz de sobreviver a qualquer coisa. Um câncer pra mim, não é nada perto da dor que eu senti e sinto por ter perdido o meu filho.".

Ao longo do dia, ouvindo as histórias da minha nova amiga, fui ficando mais fortalecida, mais confiante. Como disse antes, é preciso  todos os dias se reabastecer de coragem, fé e confiança. Porque por mais forte que você seja ou esteja, muitas vezes vai vacilar. Por isso é tão importante ter incentivos diários dos amigos e familiares. A energia vai se esvaindo e você precisa constantemente encontrar meios de se fortalecer. Hoje quem fez isso por mim foi a Ivone, ontem foi a Eliana - uma pessoa querida que conheço a tão pouco tempo, mas que tem se mostrado uma grande amiga. Anteontem foi o Diego quem me ajudou a dormir e assim a vida vai seguindo.

Umas das coisas mais importantes que descobri hoje é que não vai ter como pular etapas. Para o meu tratamento ser bom, ser bem feito e funcionar, preciso passar por esse doloroso caminho do estadiamento. Quanto mais eles souberem sobre a doença, mas chances terei de combatê-la. Então o melhor jeito é tentar não ficar tão ansiosa com os resultados, não sofrer tanto por antecipação e nem tentar entender sozinha os resultados dos exames. Por mais que eu queira estar bem informada, acho que chegou o momento de parar de pesquisar e esperar o médico analisar tudo e me dizer exatamente em que situação está tudo e como será o melhor tratamento. Dia 24 passo no pré operatório e análise dos exames e depois disso saberei tudo o que eu preciso saber. 

Vou tentar não pensar mais tanto nesse assunto e não querer saber as coisas de qualquer jeito, pois isso está causando sofrimentos desnecessários que eu já tinha decidido não ter. Diego ontem me disse uma frase que pode me ajudar muito: "substitua o medo pela vontade de ganhar". Vontade de vencer eu já tenho, muita, só preciso me livrar, definitivamente, desse medo.

Torçam por mim,
Vibrem por mim,
Orem por mim!

Um beijo afetuoso.

  

sábado, 12 de maio de 2018

As etapas do medo - II

"Medo é um estado emocional que surge em resposta a consciência perante uma situação de eventual perigoA ideia de que algo ou alguma coisa possa ameaçar a segurança ou a vida de alguém, faz com que o cérebro ative, involuntariamente, uma série de compostos químicos que provocam reações que caracterizam o medo." por significados

Ontem busquei o resultado de alguns exames no IBCC. A mamografia, como já era de se esperar, veio com um laudo de Birads 2 - que significa: achados não malignos - Não há evidencia de nódulos, mesmo tendo um nódulo palpável de 2,3 cm que aparece no ultrassom e na tomografia.

Eu me revesti de coragem e abri o resultado da minha tomografia. Eram cinco páginas repletas de palavras incompreensíveis, mas, diante das informações que eu já tinha, em uma olhada rápida estava tudo bem. Nenhum órgão mais seriamente comprometido. No exame de tórax aparece o nódulo mamário medindo 2,3 cm, discreto espessamento inespecífico  bilateral nas axilas (provavelmente a cicatrização da exerese de mamas acessórias que fiz em 2014 - quando tirei duas glândulas mamárias das axilas). Estruturas ósseas torácicas íntegras, vasos com calibre preservados sem evidências de alteração de linfonodos, traqueia e brônquios livres. Oba! Até aqui nada de novo.

Pulmão: micronódulo inespecífico sem calcificações evidentes e restante do parênquima (tecido) normais e sem evidência de derrame pleural. Uma rápida olhada no google e: é muito comum achados de micronódulos (menor que 0,5 mm) nos pulmões, até ai tudo bem. Seja o que for é menor que 0,5 mm não será uma complicação maior, desencanei.

Fígado: dimensões e contornos preservados, pequena área apresentando esteanose focal - gordura - (provavelmente pelas toneladas de salame, queijo e produtos industrializados que comi até meados de fevereiro). Nada complicado tratável apenas com mudança de alimentação (que já estou fazendo). Veias porta e hepáticas normais. Ufa!

Vesícula biliar: normodistendida, sem evidência de cálculos, apresentando discreto espessamento que pode estar relacionado a adenomiomatose (relacionado à endometriose já diagnosticada anteriormente), nada preocupante.

Baço, pâncreas e adrenais de aspecto habituais. Maravilha!

Rins: dimensões e contornos preservados, eliminando simétrico e satisfatoriamente o meio do contraste aplicado, sem evidência de hidronefrose ou cálculos (Obaaaa! As três pedrinhas que eu tinham sumiram - vejam a postagem "beba água"! ). Meus rins queridos me perdoaram e estão lindos.

Aorta e veia cava inferior normais.

Bexiga: paredes de espessuras normais conteúdo homogêneo. Tomar água faz um bem enorme!

Útero e ovário direito de aspecto tomográfico habitual - tudo normal (Obaaaaaaa! meu endometrioma de 1,9 cm detectado ano passado sumiu - sem que eu precisasse tomar o anticoncepcional que o médico tinha receitado e eu tive medo de tomar). Ovário esquerdo com formações císticas (nada de novidade). Tudo bem até aqui!

Pequena hérnia umbilical (que deve estar ai desde que eu era um bebê).

Não há evidência de líquidos e alterações de linfonodos na cavidade abdominopélvica. Ufa, ufa, ufa! Sem alterações de linfonodos, significa: sem indícios de metástases, nos órgãos.

Até ai tudo bem, tudo muito bem mesmo, nada preocupante, nenhum outro nódulo significativo em outros órgãos. Mas, espera...

Antes da última linha que diz: restante do exame sem alterações significativas, tá escrito assim:

"Lesões escleróticas inespecíficas no corpo vertebral L2 e no osso púbico direito." Num primeiro momento não dei importância para esse achado, pensei: "ah! deve ser por algum esforço que fiz correndo semana passada e meu quadril começou mesmo a doer no lado direito."

Depois, com calma fui pesquisar exatamente o que isso significava, e... pá!

O que é uma lesão esclerótica? Quando digitei no google apareceu lá uma lista gigante todas começadas com: "tumores, lesão tumoral, células cancerígenas que se espalham..." Aquele maldito frio na barriga de novo! Li e reli vários sites confiáveis sobre o assunto e descobri, entre outras coisas que pode ser causada por uso de drogas (que nunca usei na vida), excesso de consumo de minerais (será?) e metástase de câncer originado em outro local, como câncer de mama, de próstata ou tireoide. Outras: podem ser causadas também por lesões que contraíram os ossos, por exemplo, a osteoartrite e osteoma. (menos preocupantes).

Pronto! Lá vem de novo o monstro horroroso do M.e.d.o!

Achei que ia ter paz depois de saber que não há nenhum nódulo significativo nos meus órgãos, mas não. Agora vou ficar apreensiva até sair o resultado da cintilografia óssea que vou fazer na terça, dia 15/05. Mais medo de metástase, mais medo do meu tempo estar acabando, mais coragem e força que vou ter de arrancar de dentro de mim mesma.

Chorei, chorei e quanto mais eu chorava mais dor eu sentia na costela esquerda e no quadril. Tomei remédio pra dor e nada. Chorei no banho, chorei abraçada ao Diego. Ouvi as considerações, sempre tão oportunas dele, me acalmei um pouco.

Tentei dormir e não consegui. Tudo de novo: olhei meu filho dormindo e sofri, senti um pavor enorme de não estar aqui mais muito tempo para cuidar dele. Chorei muito olhando ele dormir. 

No meio da madrugada comecei a raciocinar melhor: a dor que estou sentindo é nas costelas e no quadril. No exame diz: "Estruturas ósseas torácicas íntegras" (essa dor na costela deve ser por causa do nódulo no seio) e "Lesões escleróticas inespecíficas no corpo vertebral L2 e no osso púbico direito" (ok tudo bem, essa dorzinha no quadril pode ser por causa disso, mas eu sinto essa dor na região lombar desde quando a Bia nasceu - há 25 anos). Mesmo assim não consegui dormir mais que duas horinhas. Resolvi vir escrever aqui para me ocupar.

As pessoas não fazem ideia do que é estar com um câncer. Eu não fazia ideia do quanto é difícil passar por todas essas etapas. Lendo o blog da Marcia Cabrita, em uma das postagens ela diz que: "mais difícil do que se sentir 'a coitadinha' é querer se sentir a incrível e corajosa o tempo todo". Por mais que você se esforce, realmente é impossível se manter forte e confiante o tempo todo. Cada dia acontece algo novo que te tira do lugar comum. Que te enche de medo ou de confiança. Estou aprendendo que você precisa se alimentar de coragem todos os dias. Eu amanheço bem, mas no final do dia parece que as energias vão se esgotando e então começo a pensar demais, chorar e sofrer. É nessa hora que eu faço a minha meditação e tento expulsar os meus monstros todos. Normalmente consigo uma sobrecarga de energia e um pouco mais de paz para dormir (ouvindo as músicas relaxantes que a Adriane Soares, lá de Campinas, me indicou), tem funcionado bem, mas essa noite não.

Agora estou aqui, 8 da manhã, meio anestesiada de sono e cansaço, mas decidi não sofrer mais por antecipação, se é que isso é possível. Vou tentar esperar o resultado da cintilografia óssea, que é o único que vai poder me responder e esclarecer minhas dúvidas e medos. Vou tentar não pensar mais nisso até receber o resultado desse exame.

Orem por mim,
Vibrem por mim,
Torçam por mim,
Enviem suas melhores energias para mim.

Beijo todos!




















terça-feira, 8 de maio de 2018

As etapas do medo


medo
ê/
substantivo masculino
  1. 1.
    psic estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência.
  2. 2.
    temor, ansiedade irracional ou fundamentada; receio.



Eu fui uma criança medrosa. Tinha sempre muito medo de dormir, minha imaginação corria solta ao cair da noite. Tudo o que via e ouvia, quando pequena, voltavam para mim em forma de monstros e perigos. Conforme fui crescendo, meus medos foram mudando. Na adolescência não tinha mais medo de monstros, mas de ficar e estar sozinha - principalmente para resolver os meus próprios problemas. Depois de adulta tinha sempre muito medo de perder o emprego e não ter como sustentar a mim e a minha filha. Depois que Tomás nasceu, ao vê-lo tão pequeno, frágil e dependente de mim, passei a ter um medo terrível de morrer e deixar o meu filho.

Mas, o medo não possui nenhuma substância e nem realidade existencial. São criações psicológicas de nossas mentes. Memórias de um passado de insegurança ou pensamentos sobre um futuro incerto que desencadeiam emoções que se refletem no nosso corpo e comportamento. O medo nada mais é que o excesso de imaginação.

Eu tinha um medo terrível e infundado de ter uma doença grave. Desde que fui mãe pela última vez, passei a vigiar e estar constantemente preocupada com a minha saúde. Quando ficava sabendo que alguém estava doente ou que tinha morrido de determinadas doenças eu ficava aflita. Já tinha um histórico de crises de ansiedade, que acabaram se intensificando. Há cerca de quatro anos finalmente procurei ajuda psicológica, porque sabia que uma mente sã é o princípio de um corpo são. De tanto sentir medo e criar tantas expectativas sobre minha saúde acabei atraindo aquilo que mais temia para mim.

E quando aquilo que você mais teme acontece, o medo deveria acabar, afinal já aconteceu e agora é preciso enfrentá-lo. Mas, a coisa não funciona bem assim. Um belo dia terminei minhas tarefas do dia e resolvi deitar ao lado do meu filhinho, que estava vendo um filme e ao abraçá-lo senti um peso no seio esquerdo.  Deitei direito na cama e resolvi fazer o autoexame ali mesmo. Então percebi uma massa mais espessa, fiz as contas e vi que não estava para menstruar (o que seria comum ter os tecidos mamários mais densos), examinei o outro seio, que estava normal. Voltei ao seio esquerdo e, analisando melhor, percebi um nódulo ovalado e do tamanho de uma uva. Imediatamente senti um frio na barriga que percorreu toda a minha espinha. Esse foi o primeiro medo que eu senti na noite de 16 de março de 2018. "Que caroço é esse agora?"

Com todas as informações que eu já tinha sobre o risco de câncer de mama, não foi difícil fazer as contas e ver que eu, que tinha acabado de fazer 46 anos, entrando na perimenopausa, fazia parte de um grupo de risco maior para o câncer. Assim que percebi aquele caroço no meu seio, corri para marcar uma consulta com um mastologista. Era noite de sexta e eu só consegui um horário para a segunda-feira à tarde. Quando Diego, meu marido, chegou eu estava pesquisando horários de consulta. Mostrei para ele o nódulo e marcamos a consulta. "Mas, e agora? O que eu faço até segunda?". Passei duas noites sem conseguir dormir. Naquela mesma noite comecei a pesquisar no google: "Qual a alimentação adequada para pacientes oncológicos?". Diego estranhou, disse que estava me precipitando. Talvez estivesse mesmo, mas eu só queria, caso meu medo se tornasse real, já estar fazendo alguma coisa para me ajudar. Já queria começar desde já trabalhar a meu favor.

Nessa madrugada insone, pesquisando sobre sintomas e soluções. Encontrei o blog da Patrícia Figueiredo, uma moça que venceu um câncer de mama à quatro anos e hoje incentiva mulheres a superar seus medos e dá dicas de como enfrentar essa situação tão complicada. Nesses dois dias eu vivi entre o medo e a razão. Analisava minhas mamografias anteriores, lembrei de cistos que tive antes e que sumiram e tentava me convencer que aquela pelota no meu seio não seria nada de mais grave. Resolvi contar para uma grande amiga - a Cris - o que estava acontecendo comigo. Há 2 anos ela havia sido diagnosticada erroneamente com um câncer e como fez muitos exames e biópsias, achei que ela teria informações para ajudar a me acalmar. Nesse dia descobri que a minha amiga, que sempre foi como uma irmã, era muito mais que isso. Ela simplesmente largou imediatamente tudo o que estava fazendo e veio em meu socorro. Me passou as informações que ela tinha e conseguiu me acalmar. 

No dia 19/03/18 passei na mastologista. Ela me examinou clinicamente, pediu exame de mamografia e ultrassom e me garantiu que aquele nódulo era benigno. Falou da experiência dela como mastologista, me explicou que o nódulo ovalado, liso, móvel, era um sinal claro de tumor benigno. Saí de lá um pouco mais confiante, mas o meu medo agora era de confiar cegamente nesse diagnóstico e depois sofrer muito caso recebesse um diagnóstico desfavorável, pois apesar da experiência dela, eu estava num grupo de risco muito alto para um tumor maligno. Eu sabia disso. Passei a semana - iria fazer os exames no sábado - entre medo e confiança.

No sábado, 24/03/18, fiz primeiro a mamografia e mesmo com um nódulo palpável do tamanho de uma uva, não apareceu absolutamente nada no exame. Isso me deixou bem intrigada e minha confiança - já que na mamografia anterior não havia nada - começou a vacilar. Sai da sala com um diagnóstico, igual ao do ano anterior, de Birads II - que significa: achados não malignos (por conta das calcificações esparsas no tecido mamário apenas) e  também escrito: não há evidência de nódulos

No mesmo dia fiz um ultrassom. Quando a médica posicionou o aparelho em cima do nódulo ele apareceu na tela, ovalado, medindo 2,1 x 1,3. Eu ouvia ela ditando para a auxiliar o tamanho, posição e quando ela disse: "nódulo vascularizado, parcialmente circunscrito". Eu comecei a chorar. Eu sabia o que aquilo significava: um nódulo vascularizado (presença de veias no seu interior) é uma das características de tumores malignos, pois é o sangue que faz as células se multiplicarem e o parcialmente circunscrito (parcialmente fechado, ou seja, o nódulo não estava encapsulado dentro de uma membrana o que impede as células saírem de dentro dele) outra característica de tumores malignos. Saí da sala com um laudo de Birads IV - que significa: achados com probabilidade de malignidade em 20% e a recomendação da médica: "vai no agendamento, pede para adiantar a sua consulta com a mastologista e pede para ela te dar um pedido de biópsia guiada por ultrassom". Pela segunda vez senti aquele frio na barriga e quando encontrei o Diego e o Tomás na sala de espera, caí no choro. Olhei pro meu filho e senti um medo terrível de deixá-lo. Acho que esse foi o pior momento, foi o meu medo tendo pela primeira vez um fundamento.

Adiantei a consulta para a segunda-feira 26/03/18. Uma vez mais a médica olhou os laudos e me afirmou: "Adriana eu tenho mais de 90% de certeza de que o seu tumor é benigno. Vamos fazer a biópsia e você vai poder ficar tranquila". Por mais que eu quisesse acreditar naquelas palavras, eu simplesmente não conseguia. A minha intuição e aqueles frios na espinha falavam mais alto. Consegui marcar a biópsia para dali três dias. Mais três dias sem conseguir dormir direito, mais  três dias entre confiança e medo. Analisando tudo o que eu tinha feito até então que pudesse me aliviar ou me apavorar. Decidi contar para algumas pessoas. Parecia que quanto mais eu falasse sobre o nódulo o meu medo iria desaparecer, mas não desaparecia. E mais uma vez quem mais esteve do meu lado foi a minha amiga Cris, que pensava racionalmente comigo e o Diego que tentava, em vão, me tirar daquele estado de alerta e ansiedade.

No dia 29/03/18 fui para a clínica fazer a biópsia. Enquanto esperava a minha vez ouvi uma senhora ao telefone falando com alguém: "você não imagina o alívio que estou sentindo, meu tumor não é maligno". Pouco depois saiu uma jovem chorando muito, rodeada por várias pessoas - que imaginei serem seus familiares - e um deles lhe disse: "tenha calma agora, você vai tratar e vai se curar!".  Quando a enfermeira chamou o meu nome, pela primeira vez nessa situação eu não tive medo. Sabia que iria ser furada com uma agulha grossa, que iria perfurar o meu seio e ir até o nódulo e retirar pedaços dele, mas naquele momento o maior medo que eu estava sentindo era do resultado desse exame. Quando terminou de colher o material a médica me disse: "deu tudo certo Adriana, nós conseguimos colher um bom material e quero te dizer que você é 'das corajosas', a calma que você manteve ajudou muito no exame, que costuma sangrar muito, mas no seu caso quase não sangrou." Ela me desejou boa sorte e eu fui para casa amargar oito dias de espera pelo resultado.

Foram mais oito dias de ansiedade, solidão, fé, esperança, confiança ou medo. Tentei me distrair organizando a festinha de aniversário de 5 anos do Tomás. Com muita coisa para organizar da festinha, com visitas em casa e toda a minha rotina, consegui esquecer por alguns momentos que estava esperando o resultado de uma biópsia que iria me dizer se eu estava ou não com câncer de mama. No dia da festa, no sábado 07/04/18, Diego já sabia do resultado, mas não contou. Disse que quando chegou em casa e me viu feliz, conversando com meus sogros e as crianças, não teve coragem de me contar. Eu, com medo de ler o resultado sozinha em casa, dei o protocolo para ele, que levou para o trabalho e de lá acessou o resultado no site. Não sei como ele conseguiu guardar segredo por três dias, mas eu percebi que ele estava meio triste.

Na segunda-feira 09/04/18 finalmente peguei o diagnóstico na clínica. Diego estava comigo. Eu tinha consulta marcada com a mastologista logo em seguida e o Diego se adiantou, pegou o exame e não queria que eu abrisse antes, queria que entregasse para a médica. Foi quando eu disse a ele que preferia abrir logo, que ele abrisse, que preferia ouvir dele do que da médica. Entramos no táxi, ele abriu o laudo e me disse: "É um carcinoma amor!". Naquele exato instante eu me senti extremamente aliviada, calma, sem ação. Exatamente como me senti ao receber a notícia que o meu avô - uma das pessoas que mais amava nessa vida - havia morrido. Em seguida cai no choro. Dizia pra mim mesma em voz alta: "você vai sair dessa!". Diego me abraçou e disse que estaria ao meu lado, que tudo iria passar e que vou me curar.

A médica me encaminhou para o SUS, pois a partir dali eu não teria mais como bancar o tratamento, caríssimo, que precisarei fazer. Imediatamente comecei a correr atrás da minha cura. Sai da clínica e fui direto na UBS, onde me consulto, e marquei para o dia seguinte uma consulta com o meu ginecologista. A minha amiga Cris -  mais uma vez -  largou tudo que estava fazendo e veio me abraçar, enxugar as minhas lágrimas e me dar um pouco de conforto. Ficou comigo até tarde naquela noite e na manhã seguinte foi comigo ao médico. Os amigos que fiz na UBS, vieram todos prestativos para me ajudar. Dr. Cheng, meu ginecologista, me deu umas dicas do que eu já poderia fazer. E pediu urgência no meu agendamento. A Susana, moça que busca vagas, disse que estaria o tempo todo monitorando uma vaga para mim. O prazo do SUS é de 20 dias, ela me disse que conseguiria em 10 dias, mas 5 dias depois ela me ligou. Quando peguei a guia, vi que ela tinha recebido a informação às 12:11 e ela me ligou às 12:15. Então eu comecei a perceber que todas as pessoas que um dia eu conheci, pessoas que gostam de mim, começaram a correr ao meu lado. Quando decidi postar no meu facebook sobre o meu diagnóstico, recebi quase trezentas mensagens, e eu tinha quinhentos amigos até então no perfil. As mensagens, os telefonemas da minha prima Thaís e todas as pessoas que vieram até a mim - de alguma forma -  me deu uma coragem e forças que até então eu desconhecia. A cada dia passei a estar mais forte e confiante, mas o medo ainda existe.

No dia 03/05/18, passei na primeira consulta do IBCC - Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer. Saí de lá com uma papelada imensa de guias de exames e o medo voltou a me rondar. Estou refazendo todos os exames, em aparelhos mais sofisticados. O Resultado do ultrassom do IBCC já trouxe algumas diferenças do exame anterior: na verdade eu tenho 2 nódulos e não 1. Um deles, que está com 2,6 cm, é o tumor (que agora é chamado de suspeito de carcinoma) foi também relacionado como circunscrito (fechado) e não parcialmente circunscrito (parcialmente fechado) como no ultrassom anterior. E nesse exame aparece também um outro nódulo de 1,5 cm (comprovadamente benigno - um lipoma). Nesse exame também deu para ver os linfonodos axilares presentes e que eles estão normais. Isso significa que possivelmente não há metástase desse tumor. O medo agora é do resultado dos outros exames. Dia 11 levo as lâminas da minha biópsia para fazer uma contra prova - que vai dizer se o meu tumor é mesmo um carcinoma, as chances de que não seja são mínimas, mas ela existe. Dia 11 sai também o resultado da tomografia que fiz - do pescoço até a pelve - e que irá me dizer se há ou não outros tumores nos meus órgãos. E dia 15 faço a cintilografia óssea, que vai me dizer se há ou não células cancerígenas ou tumores nos meus ossos. E esse medo que anda me assombrando agora só vai passar depois que souber essas respostas.

Por mais que esteja sentindo tanto medo, também nunca me senti tão corajosa e determinada - para enfrentar essa doença. Todos os dias eu acordo pronta para enfrentá-la, fazendo tudo o que posso para ajudar na minha cura: alimentação, exercícios físicos, meditação, orações, pensamentos positivos, leituras sobre como minimizar os efeitos do tratamento e depoimentos de pessoas que enfrentaram a doença e saíram vitoriosas. Mas, todos os dias eu também sinto muito medo. Medo daquela dorzinha insistente no meu quadril desde que corri 4 km e caminhei 6 km no final de semana. Medo daquela dorzinha no pescoço - provavelmente por ter dormido de mal jeito. Medo da minha visão que anda meio fraca, medo da dor no ovário - provavelmente meu endometrioma, já diagnosticado. Medo do resfriado que o meu filho pegou na escolinha e passou pra mim. 

Eu sei que os meus medos estão longe de terminar. Depois que souber o resultado dos exames, outros medos virão. Mas, agora é diferente. Junto deles eu tenho desenvolvido também uma força, coragem e determinação para vencê-los todos. Eu ainda choro no banho, quando me lavo e sei que em breve não poderei mais lavar o meu seio esquerdo inteiro como agora. Choro de medo de morrer cedo e deixar o meu filhinho ainda pequeno por criar e a minha filha mais velha sem o meu amparo. Medo de partir logo e deixar meu marido sozinho para criar o nosso filho e sem realizarmos todas as coisas lindas que sonhamos juntos. Mas, é também esse medo terrível que me impulsiona. Que me faz ter uma força inimaginável antes para enfrentar o que tiver de enfrentar.

Eu não sei o que me espera no futuro, mas sei que vou enfrentar o que vier. Que vou fazer tudo o que for preciso para reverter a minha situação.  Eu tenho medo, mas também sei que terei toda coragem desse mundo para fazer todos os exames, por mais complicados que eles sejam. Serei a pessoa mais corajosa desse mundo para encarar a minha cirurgia e farei corajosamente todas as sessões de quimio, rádio e hormônio terapias. É engraçado como sentimentos tão contraditórios passam a caminhar juntos. Mas é exatamente assim que me sinto: Tomada pelo medo e pela coragem ao mesmo tempo.

Orem por mim,
Torçam por mim!

Um beijo à todos.










sábado, 5 de maio de 2018

Beba Água!

Para quem está acompanhando as minhas postagens, já deu para perceber que, por mais que a gente queira, não tem como ter uma vida 100% equilibrada: uma alimentação perfeitamente saudável, viver sem medicamentos (e seus efeitos colaterais), sem poluição, sem agrotóxicos, sem estresse, etc...

Realmente não tem como. Mas nós podemos e devemos desenvolver ações que minimizem esses impactos na nossa vida. Procurar comer melhor, não consumir excessivamente alimentos que podem nos fazer mal ou bebidas alcoólicas, não fumar, praticar exercícios físicos e beber muita água , são bons exemplos disso.

Não temos como viver de forma livre e totalmente saudável, mas a notícia boa é que o nosso corpo, quando funcionando adequadamente, é perfeito! Ele foi capacitado para nos defender e nos livrar das toxinas que a vida cotidiana nos impõe. Para isso ele só precisa ser bem cuidado, bem alimentado e hidratado. Um organismo bem hidratado leva, através do sangue mais oxigênio para as células, o que faz com que os órgãos, que vão destoxificar nosso corpo - como os rins, intestinos, fígado, por exemplo - funcionem perfeitamente.

Se você não toma água o suficiente, como eu fiz a vida inteira, os seus rins e fígado não vão eliminar as toxinas, o intestino não vai funcionar como se deve e por sua vez não vai eliminar o excesso de hormônios do seu corpo, através das fezes. E olha que nem é tanta água assim que você precisa tomar. A OMS recomenda que tomemos 8 copos de água por dia: 

1 ao levantar em jejum ;
1 no meio da manhã ;
1 antes do almoço;
1 depois do almoço;
1 no meio da tarde;
1 no final da tarde;
1 depois do jantar;
1 antes de deitar.

Não seria difícil - levando em conta que moramos num país abençoado com muita água potável -  bastaria abrir a torneira, no meu caso já com filtro acoplado, mas acreditem eu tomava no máximo 1 ou 2 copos d`água por dia. Achava que tomando mais 1 ou 2 xícaras de chá ou alguns copos de suco "natural" (de caixinha) estava fazendo o suficiente.

Não estava!

Chás, sucos, refrigerantes e afins, não substituem a água. Esses tipos de líquidos são apenas (principalmente bebidas industrializadas cheias de conservantes) algo a mais para o pobre rim ter que destoxificar.

Eu passei anos e anos maltratando os meus rins. Sobrecarregando-os de impurezas, sem nem ao menos dar à ele água suficiente para que ele pudesse funcionar bem. E meus rins mandaram alguns recados: em 2002 produziu 3 cálculos extremamente dolorosos, que me fizeram sofrer um bocado e em 2015 tive uma preocupante infecção renal. Pedidos de socorro, não ouvidos, dos quais meu rim se recuperou e continuou desempenhando seu papel. Nem assim eu mudei meus hábitos. Quando meus rins chiavam eu melhorava por uns tempos, mas assim que a minha saúde se restabelecia, voltava a fazer como sempre.

Se eu tivesse tomado água suficiente, meus intestinos não teriam funcionado tão mal durante boa parte da minha vida. Sofria com constipações frequentes. Meu intestino também me mandava recados quando ir ao banheiro era sempre algo difícil. A falta de água no meu organismo era como uma terra árida no meu intestino. Justo o órgão que teria eliminado todo o excesso de hormônios que eu estava consumindo ano após ano tomando anticoncepcional à base de hormônios.

Certamente a minha pele, minha garganta e sistema respiratório não seriam tão secos se eu tivesse consumido ao menos 8 copos de água por dia e talvez eu nem tivesse tido tantas crises de rinite e nem precisado de inalações e todos os antialergênicos que usei durante tanto tempo, sobrecarregando ainda mais meu organismo.

Faz apenas 4 meses que resolvi mudar meus hábitos todos e entre eles passei a tomar mais água. À princípio porque queria emagrecer e há pouco mais de um mês, quando descobri o câncer, porque quero me curar e viver. Nesses poucos meses em que resolvi, de verdade, fazer a coisa certa, não tive mais nenhuma vez problemas intestinais. O meu rim esquerdo, que volta e meia estava dolorido, nunca mais doeu. E nem mesmo as constantes crises de rinite não têm mais acontecido. Tomás e Diego pegaram um resfriado esses dias, mas agora que estou cuidando melhor da minha imunidade e hidratação, não adoeci, mesmo tendo tomado conta deles. A minha urina não é mais aquela concentração amarelo vivo de odor forte que era antes.

Durante toda minha vida, volta e meia ouvia:  Beba Água! E eu nunca segui esse conselho. E é essa a responsabilidade que tenho com a minha doença.

E hoje eu digo a você, que acompanha o meu blog e a minha jornada: BEBAM ÁGUA! BEBAM MUITA ÁGUA!

Orem por mim,
Torçam por mim!

Um beijo afetuoso.

Sugestão de trilha sonora: Isso - Titãs (clique e ouça)

letra:

Introdução: "O pior cego é aquele que não quer ver. Sem conservantes e 100% natural. Cada um é seu próprio animal. Você pode ser a namorada do Brasil, de novo pra você, algo que você nunca viu."

Isso!
Que acontece com a gente
Acontece sempre
Com qualquer casal
Isso!
Ataca de repente
Não respeita cor
Credo ou classe social

Isso! Isso!
Parecia que não ia
Acontecer com a gente

Nosso amor era tão firme
Forte e diferente
Não vá dizer
Que eu não avisei você
Olha o que vai fazer
Não vá dizer
Não vá dizer
Que eu não avisei você
Olha o que vai fazer
Não vá dizer
Não adianta mesmo reclamar
Acreditar que basta
Apenas se deixar levar

Isso!
Que atrapalha nossos planos
Derrubou o muro
Invadiu nosso quintal

Isso!
Passam-se os anos
Sempre foi assim
E será




sexta-feira, 4 de maio de 2018

Prô dia nascer feliz!

Se eu tivesse tomado um café da manhã desses, pelo menos nos meus últimos 15 anos, certamente não teria ficado doente.

Estou aprendendo muitas coisas sobre nutrição e como a alimentação pode nos livrar de tantos problemas. Eu, que achava a Bela Gil uma chata exagerada, estou revendo meus conceitos e preconceitos.

Não se trata de ser "natureba" ou estar na "moda verde". Se trata de saúde! Eu achava que me alimentava bem porque não tomo refrigerantes e nem como frituras há mais de 10 anos e tentava comer mais frutas e verduras. Eu sequer sabia que tinha um sistema imunológico tão baixo: não ter sido amamentada por tempo suficiente, ter sido bombardeada a infância inteira por antibióticos (receitado por médicos e farmacêuticos), ter feito uso de anticoncepcional a base de hormônios por um período muito prolongado - dos 17 aos 44 anos (sem que nenhum médico nunca tenha me dito que isso é muito prejudicial à saúde), não ter tomado água suficiente a vida toda (o que fez meu intestino não funcionar adequadamente e os meus órgãos não receberem água o suficiente para eliminar as toxinas do meu corpo), ter passado por um período longo de estresse altíssimo e mais uma série de outros errinhos aqui e ali. Eu já tinha de 10 a 15% de chances de ter um câncer por hereditariedade, que se somou a todas essas coisas.

Só depois de ser diagnosticada descobri que eu precisava ter cuidado melhor da minha imunidade.  Se tivesse feito isso em tempo, desde criança ou adolescente, provavelmente não estaria aqui agora tentando ajudar outras pessoas a não cometerem o mesmo erro que cometi. Então tá tudo certo. Em tudo há um aprendizado e a oportunidade de fazer algo de bom com aquilo que se aprende. E mesmo tendo feito tudo errado até agora, ainda há tempo de reverter as coisas e mudar meu destino.

Os ingredientes acima: laranja, couve, limão, maçã, gengibre, beterraba, pepino, alho, cenoura e uma colher de cúrcuma viraram esse suco verde (não é delicioso, mas também não é a pior coisa que já bebi) que sozinho já melhora a minha imunidade em mais de 50%. Do lado um leite de castanhas do Pará que me dá a quantidade suficiente de selênio (o mais poderoso antioxidante). A minha baixa imunidade não me protegeu contra uma célula cancerígena (uma única célula que deu início ao meu tumor). Imagine quantas infecções (inclusive uma renal) eu não precisaria ter passado se tivesse tomado um suquinho desses diariamente.

Bastaria ter tomado um café da manhã desses: uvas, maçã, ovos cozidos, banana com linhaça, chia e aveia. E eu não iria nem ter precisado dos complementos do meu lanche: suplementos de cloreto de magnésio, omega 3, complexo de vitaminas B e zinco. 

E por que estou te dizendo isso? Porque você não precisa esperar ter um C.A (câncer) como eu para mudar o seu destino.

Eu queria ter outros assuntos, mas no momento só consigo pensar nas coisas que eu preciso fazer para reverter a minha situação. E também, diante de tantas coisas que tenho descoberto, não estaria em paz de ter tantas informações sem repassa-las às pessoas que me são queridas.

Se você está aqui no meu blog, lendo sobre as minhas descobertas. Acredito que estou fazendo a minha parte.

Pesquisem, leiam, PREVINAM-SE!

Um beijo afetuoso.

Orem por mim,
Torçam por mim!

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Dia 1

Hoje foi a minha primeira consulta. Uma das coisas que já deu para perceber: o IBCC vai ser a minha segunda casa. Cheguei às 08:00 e sai de lá às 13:00, para voltar amanhã e ficar o dia todo fazendo os exames.

A consulta foi muito boa, mas ainda não muito esclarecedora - como já era de se esperar. Não obtive mais nenhuma informação além das que eu já tinha. Não tem como saber absolutamente nada antes de pegar os resultados dos exames. Só então vou saber, de verdade, o estágio da minha doença. Tudo indica, pelos exames já realizados, que existem boas chances de não haver metástases, mas o médico só vai poder me afirmar isso depois de me virarem do avesso.

Sai do consultório com uma papelada imensa - de pedido de exames - achando que isso iria demorar muito. Mas, quando a médica, da equipe do Dr. Andrade, bateu um carimbão vermelho vivo escrito "estadiamento" em cada uma daquelas guias, os caminhos todos se abriram imediatamente. Ainda pela manhã já comecei a fazer os exames. Amanhã faço mais dois, dia 9 mais um, dia 11 levo as lâminas da minha biópsia para contra prova, dia 15 a cintilografia e no dia 24 avaliação pré operatória e o retorno. Depois disso tudo - mais vinte dias - finalmente ele vai me dizer como será e começar o meu tão sonhado tratamento.

Hoje foi apenas o primeiro dia  e já fiquei exausta!

A equipe do hospital, todos, muito atenciosos e os médicos foram bem práticos: "não tenho como te dar nenhuma informação além das que você já tem.". Eu já esperava por isso. A boa notícia é que terei mais vinte dias para bombar o meu sistema imunológico e continuar me organizando para que a minha cura aconteça da forma mais tranquila e com menos sofrimentos possíveis.

Enquanto eu esperava para fazer a mamografia - outra - num aparelho mais sofisticado, uma senhorinha me viu quase careca e veio falar comigo: "Filha, o seu cabelo já começou a nascer? Caiu na sua quimio? Sabe, eu comecei a quimio e ontem meu couro cabeludo coçou e ardia muito e meus cabelos começaram a enozar e cair ". Eu expliquei para ela que ainda não comecei o tratamento, mas que preferi cortar logo, bem curtinho, porque fatalmente irá cair. Disse que ela deveria fazer o mesmo, assim evitaria esse sofrimento que ela está passando -  do cabelo todo embolado e caindo. Ela me olhou incrédula pela proposta que eu estava lhe fazendo e disse: "Imagina, eu sou do Templo de Salomão! Jesus nunca que vai deixar meu cabelo cair!". Ela saiu antes que eu dissesse qualquer coisa. Fiquei pensando muito na frase que a Patrícia Figueiredo (a minha guru) sempre escreve no blog dela: "a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional...". E eu escolho não sofrer além do necessário.

Com esse tempinho que ganhei, antes de começar pra valer o tratamento, vou aproveitar para colocar em prática as recomendações valiosíssimas da minha nutricionista - um presente maravilhoso que a minha amiga Michele Lot me deu ao ter me apresentado à Suzane. Uma querida super do bem que fez nutrição no Canadá, onde mora há 20 anos, e surgiu como um anjo para me ajudar nessa batalha - completamente desinteressada. E ela entende muito, muito mesmo, de nutrição e oncologia. Nem sei como, e se um dia, poderei agradecer a esse apoio, essencial para reverter a minha situação. Uma ajuda incrível para o meu organismo se restabelecer, me curar e prevenir que outros tumores apareçam. Ainda estou respondendo a um questionário gigantesco que ela me fez, ainda vou ter que fazer uns exames, antes que ela entenda como eu produzi esse câncer, me passe as recomendações e elabore o meu cardápio da regeneração, mas já deu para perceber (apenas respondendo as perguntas dela) onde foi que eu errei, mas que posso reverter isso.

Depois do dia 24, quando eu tiver as respostas todas, acho que tudo vai encontrar o seu lugar e eu vou poder me concentrar só na minha cura, sem essa ansiedade de não saber ainda tudo que preciso.
Amanhã a minha jornada continua: tenho ultrassom às 10h e tomografia geral às 15h. Será mais um dia inteiro no IBCC. Mas vou estar preparada, munida de livro, músicas, lanchinhos saudáveis e as boas vibrações das pessoas que me amam.

Continuem orando por mim,
Continuem torcendo por mim.

Beijos todos!