quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Os Varredores e Meu Tio

Impossível olhar o quadro Os Varredores - 1935 do artista brasileiro Carlos Prado e não se lembrar do filme Meu Tio - 1958 do Jacques Tati.
Essa foi a minha gostosa descoberta nesse sete de setembro chuvoso.
O MASP estava lotado por causa do feriado e eu ali quase ofendida pelo descaso com que um senhor passou ao lado de O Banco de Saint Remy. Falava alto e, pior, ignorando completamente a grandeza daquele meu quadro preferido dentre todos no mundo inteiro.
Poderia ter me irritado muito não tivesse visto, logo ali ao lado da Ponte de Monet, Os Varredores. Fui imediatamente atraída pelo quadro e em dois segundos vi o Sr. Hulot na minha frente. Lá estava ele com sua capa bege, seu chapéu e o guarda-chuva. Até mesmo o cabo da vassoura de um dos varredores me lembrou o inseparável cachimbo do Sr. Hulot.
Fiquei maravilhada com a descoberta.
Coincidência?
Tiveram as mesmas influências?
Será que Tati um dia se deparou com esse quadro e - como Jeunet que um dia olhou um Juarez Machado e levou suas cores para Amèlie Poulain - resolveu fazer de Os Varredores pano de fundo de seu filme?
Infelizmente não encontrei essa resposta, mas algumas coisas de fato os dois - Prado e Tati - tiveram em comum: ambos nasceram em 1908, estavam na Europa na década de 1920, tinham temperamento difícil, eram arredios e muito, muito talentosos.
Para minha tristeza não encontrei muita informação sobre Carlos Prado. Apesar da sua enorme contribuição ao modernismo brasileiro, o artista isolou-se em Bragança Paulista e como fez poucas exposições, acabou esquecido. Pouco encontrei sobre ele clicando no Google, mas vou continuar pesquisando. Caso alguém tenha alguma dica, será muito bem vinda.
De qualquer forma, é um delicioso exercício comparar o quadro com o filme. Vejam:

O quadro

O ambiente do filme


Um dos varredores conversando

Sr. Hulot conversa com o varredor no filme

As linhas retas da árvore do quadro

As linhas retas das plantas no filme

Detalhe da calçada no quadro

A calçada do filme

A presença do cachorrinho no quadro

Os cãezinhos no filme
.
Se você estiver em São Paulo, não deixe de passar no Masp para conferir o talento de Carlos Prado. Também não deixe de ver o maravilhoso Meu Tio.




Fonte de Pesquisa:

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O vestidinho amarelo

Minha tia Isa ia se casar. Alguns dias antes fomos – minha mãe, minhas tias e eu – numa boutique em Iporã. Coisa importante comprávamos sempre na cidade vizinha, um pouco maior, onde haviam lojas mais modernas. Nesse dia minha mãe me comprou um lindo vestido amarelo de tricô.


Meu vestidinho era todo bordado na pala e na gola. Tinha mangas compridas e pregas que saiam logo abaixo do peito.


Junto com o vestido, minha mãe comprou uma meia calça rendada e um par de sapatos brancos, estilo boneca, com fivelas.


Eu me apaixonei imediatamente pelo vestidinho amarelo. Já queria ir para casa vestida com minha roupa nova, mas minha mãe não deixou.


O casamento só aconteceria dali a quinze dias. Eu tinha cinco anos e quinze dias era muito tempo de espera. Todos os dias eu pedia para minha mãe me deixar usar o vestido novo e ela sempre dava a mesma resposta dura:
-Não! Só no dia do casamento.


Eu fui ficando triste e amuada. De triste fiquei doente. Até febre eu tive.


Minha mãe me deu remédio, contou histórias, me agradou de todo modo, mas nada adiantou. Eu continuava febril e amuada. Quando minha mãe perguntava a razão de tanta tristeza eu só respondia que queria usar meu vestidinho.


Preocupada minha mãe não teve escolha. Dez dias antes do casamento ela se rendeu. Me deu banho, passou talco, colocou-me a meia calça, o vestido e os sapatos novos. Penteou os meus cabelos e fez uma trança. Depois me pegou no colo, chamou minha tia e então saímos. Fomos até a quitanda do seu Júlio e compramos maçãs frescas.


Quando minha mãe se cansava me passava para minha tia e vice versa. Usei a roupa nova, mas não pisei no chão em momento algum. No dia seguinte, milagrosamente sarei.


Confesso que fiquei meio frustrada de não ter podido correr livremente pelo quintal com o meu vestido novo e também porque no dia do casamento eu fui a única que não estava com uma roupa novinha em folha.


Quando eu era criança era bastante comum a molecada adoecer quando queria muito alguma coisa. Fiquei com febre por causa de queijo prato e chocolate. Meu irmão, bem mais esperto, adoeceu por causa de uma bicicross e um ferrorama.


Com o tempo os pais ficaram mais espertos.
Ah! Tá doente é? Então vamos na farmácia aplicar uma injeção para curar essa febre.
A criançada sarava rapidinho.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Pé de Bife

Eu devia ter uns 4 ou 5 anos no máximo. Morava na casa dos meus avós e vivia rodeando minha mãe e as minhas tias ainda moças e que, para mim ao menos, estavam sempre fazendo ou dizendo coisas interessantíssimas.

Era uma casa de madeira com três quartos e um quintal enorme. Nessa casa, no interior do Paraná, havia um belo jardim cultivado com muito carinho pela minha avó. Tínhamos hortências azuis, um pinheirinho de natal e até um pé de café. Tudo que poderia nascer e crescer na terra a minha avó metia ali no jardim, resultando numa verdadeira confusão de árvores, plantas e flores. Mas, por alguma razão que desconheço, aquilo tudo harmonizava-se e o jardim era realmente muito bonito.

Na manhã de um sábado ensolarado acordei e não encontrei ninguém na casa. Passei pela cozinha, apanhei um pãozinho de minuto recém saído do forno e comecei a chamar pela minha avó. Logo descobri que as mulheres da casa estavam todas no jardim, aguando as plantas e conversando.

Fiquei por ali ouvindo a conversa enquanto observava a destreza com que minha avó tirava os galhinhos e folhas secas de uma das plantas.

Em seguida minha avó e minha mãe entraram, provavelmente já estavam preocupadas com os afazeres do almoço. Meu avô e meus tios chegavam por volta das onze horas para almoçar.

Assim que elas entraram, minhas tias começaram a falar sobre as flores, de como estavam bonitas e que minha avó tinha uma mão ótima para plantá-las. A conversa girava em torno disso quando a tia Isa falou:

- Eu queria saber como é um pé de pimenta do reino, pois eu nunca vi nenhum!
- E eu – disse a tia Ironí – queria saber como é um pé de cupuaçu.

Querendo entrar na conversa e ao mesmo tempo satisfazer minha curiosidade, saí com essa:

- Ah! Eu queria mesmo era saber como é um pé de bife!
- Um pé de bife?!- riram as duas espantadas.
- É! – respondi sem graça.

Então a tia Isa me explicou que não existia um 'pé de bife'. Fiquei intrigada quando ela disse que as carnes que eu via penduradas no açougue do seu João vinham das vacas.

Pensei em como era que as vacas produziam as carnes. Imaginei que deveria ser algo parecido com a produção do leite. Demorou ainda um bom tempo para eu descobrir toda a cruel verdade.

sábado, 28 de agosto de 2010

Lição de Casa

Ainda não contei?
Estou fazendo um curso muito legal - comunicação escrita - lá na FAAP.
Vamos ver se agora aprendo a escrever direitinho e me inteiro das novas regras ortográficas.
Já fiz duas aulas e estou simplesmente amando tudo e todos. São apenas doze alunos e os professores são ótimos.

Já no primeiro dia de aula o professor diz:

- Tragam na próxima aula um texto descrevendo, com olhar poético, um desastre automobilístico.

Então tá! Se o Jorge de Lima conseguiu traduzir em poesia uma tragédia aérea. Vamos lá!
Eis a minha primeira lição de casa:

"Estamos em 1955. Um Porsche 550 voa com sua estrela pela estrada californiana. No ar o cheiro da bebida e do fascínio pela velocidade. Na direção contrária um Ford também vem com pressa.
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O Golden Boy acende o cigarro e acelera ainda mais sua máquina prateada. A primeira tragada, uma pequena distração e um cruzamento. Então um susto e um barulho ensurdecedor. O Porsche explode em mil pedaços de encontro ao Ford Tudor.
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De repente tudo é silêncio e sem movimento. O cheiro de óleo e sangue se espalha no ar. A borracha dos freios marca o asfalto como uma imensa cicatriz.
O rosto angelical está desfigurado. A camiseta branca vai rapidamente se colorindo de vermelho. É a jaqueta preta de couro que agora voa pelos ares. O jeans e a coluna do moço loiro são simultâneamente rasgados pelas cruéis ferragens.
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Ao seu lado o amigo chora a perna quebrada. No Ford apenas arranhões, mas o rebelde sem causa se cala para sempre a caminho do hospital. Agora, sem pressa alguma, repousa em paz em Indiana o eterno jovem que o 'Pequeno Bastardo' fez imortal."

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um Peixe Chamado Antônio

Os ambientalistas e protetores dos animais que me perdoem, mas preciso contar essa história.
Devo adiantar que sou casada com um vegetariano convicto, quase um militante do PETA, e que eu mesma sou totalmente a favor da proteção aos animais. Já fui parar até numa delegacia em defesa de um deles - mas essa é uma outra história. No entando, confesso que tenho uma boa parcela de culpa na história do peixe chamado Antônio.
O peixe chegou em nossa casa pelas mãos da minha filha Bia. Menina trabalhadora, desde os quatorze anos fazia free lancers como monitora num buffet de festas infantis. Um dia, depois de uma das festas, chegou em casa apressada, toda esbaforida pedindo ajuda. Além da mochila e sacolas, numa das mãos trazia um saquinho daqueles transparentes com o tal peixinho dentro. Um beta azul belíssimo com suas enormes nadadeiras. Ele era uma das lembrancinhas que sobraram da festa inspirada na Pequena Sereia.
Na falta de um aquário o colocamos numa tigela e imediatamente foi batizado de Antônio pela Bia. Segundos depois, uma das duas ilustres moradoras felinas da casa já estava rondando a escrivaninha onde a "casa" provisória do Antônio foi colocada. Como a Maria é totalmente antissocial, a Augusta se encarregou de inspecionar o novato. Ali mesmo na nossa frente a audaciosa já estava implicando com o novo morador. A gata foi expulsa e a porta do quarto passou a ser trancada e vigiada.
Gatos e peixes realmente não dão certo como animais de estimação simultâneos. Bastava alguém esquecer a porta do quarto aberta que dona Augusta, de prontidão, invadia o recinto e "atacava" a tigela com o peixe. Depois de uns três flagrantes, compramos um aquário com tampa.
O Antônio crescia belo e formoso, tão belo e formoso quanto é permitido aos betas crescerem belos e formosos.
Numa tarde, a Bia havia saído e eu estava no banho quando ouvi uma barulheira danada no quarto. Saí às pressas e cheguei há tempo de salvar a vida do Antônio. O aquário estava caído na escrivaninha, a água espalhada por tudo e o peixe se debatendo no chão enquanto uma gatinha muito cara-de-pau assistia ao desespero do peixe. Por sorte o aquário não quebrou. Expulsei a felina maquiavélica do quarto, troquei a água e limpei tudo. O Antônio sobreviveu e a vigilância foi reforçada.
Algum tempo depois, bem no início de dezembro, recebi a visita de minha mãe. Feliz por tê-la conosco e por estar de férias, não paravámos em casa. Passavámos o dia todo indo à lugares que ela queria rever, fazendo compras e passeando pela cidade. Mal chegávamos em casa e já saíamos de novo. Numa dessas chegadas e partidas apressadas o mal se fez.
Nós havíamos acabado de chegar do shopping carregadas de sacolas e pacotes, entramos em casa e encontramos a Bia de saída. Ainda gritou da porta: "se forem sair não esqueçam de trancar o Antônio!"
Entramos no quarto dela, colocamos as coisas sobre a cama e lembramos que tínhamos horário marcado no salão e estávamos atrasadas. Saímos logo em seguida e apressadas nem nos lembrando da existência do Antônio.
Duas horas depois, quando voltamos orgulhosas do nosso novo visual, a casa vazia e silenciosa não denunciava nada de anormal, até que minha mãe entrou no quarto e gritou:
- Ai meu Deus! O Antônio!!!"
Corri para o quarto, mas já não havia mais nada a fazer, o pobre Antônio jazia no chão, o aquário espatifado e a água toda espalhada.
Depois de sepultarmos os restos mortais do Antônio na privada, desoladas minha mãe eu nos desesperamos: "a Bia vai nos matar!" Foi então que eu tive a brilhante idéia de atravessar a rua e tentar encontrar outro peixinho beta azul na Pet Shop da esquina.
Minha mãe, totalmente cúmplice, foi junto para ajudar a encontrar o peixe perfeito e um novo aquário. Demos sorte! Encontramos um peixinho idêntico ao Antônio e um aquário igual ao anterior. Corremos para casa e limpamos tudo. Nenhum vestígio do assassinato!
Mais tarde, estávamos na sala vendo tevê e nem nos lembrávamos mais do que tinha acontecido. Minha mãe, solidária, tinha concordado em não dizer palavra alguma sobre a morte do peixe. Em seguida a Bia entra em casa, passa na cozinha, come alguma coisa e vai para o quarto.
- Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!! Cadê o Antônio???? O que vocês fizeram com ele? Esse aqui não é o Antônio! O Antônio tinha uma pintinha preta do lado esquerdo da cauda dele e era bem maior que esse!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

comer, rezar, amar

comer

rezar

amar

Longe de ser o best seller da Liz Gilbert, 'comer, rezar, amar' descreve bem tudo o que tenho feito nos últimos dias.
Depois de oito anos na mesma empresa, mandei tudo às favas. Há muito já estava descontente lá. Há pelo menos três desses oito anos, levantar todos os dias e me dirigir àquele lugar não passava de um suplício para mim.
Até que demorei para dar uma de louca de novo - casar com um cara quinze anos mais jovem que eu, depois de menos de um mês, não conta. A última vez que eu tinha exercido todo meu potencial de loucura foi em 2002, quando vendi o apartamento que morava, coloquei todas as minhas coisas num depósito e me mandei com a minha filha aqui para São Paulo, sem emprego, sem casa e sem conhecer praticamente ninguém.
Eu sobrevivi à mudança louca para Sampa e muito provavelmente irei sobreviver ao desemprego atual também.
E aqui estou há uma semana: comendo que nem louca, rezando para encontrar um emprego ou qualquer coisa que me dê sustento logo e amando o Diego ainda mais que há um ano atrás.
Eu ainda não sei como vou resolver essa nova situação, mas sei que de alguma forma as coisas vão se arrumar. Eu já passei por coisas parecidas e a experiência me ensinou que sempre acaba acontecendo alguma coisa e tudo acaba se resolvendo.
Hoje de manhã tive uma conversa bem estranha com o Diego e minha amiga Tamy - conversa que o Diego preferiu chamar de 'seu discurso'. O fato é que essa conversa me deixou um pouco desiludida. Nem sei como começou, só sei que de conclusões do filme 'A Origem', passamos pelas nossas crenças religiosas - eu sou espírita, o Diego budista e a Tamy mórmon -, falamos sobre a crueldade humana e no final eu estava bem deprimida.
Acabei pensando, mais uma vez, no quanto não sei absolutamente nada de nada. Que não sei de onde viemos e nem para onde estamos indo. Pensei nas minhas perdas e danos e sinceramente, achei que bem pouca coisa nesse mundo me interessa.
Pensei que ia ficar realmente maus depois de pensar nessas coisas, afinal de contas a minha vida não anda lá cheia de flores e arco-íris: minha filha foi morar com o pai e tem pelo menos uns dois meses que nem nos falamos direito, estou longe de 99,9% da família e amigos, acabei de mandar meu emprego para o espaço, o amigo mais querido que já tive em toda minha vida não faz mais parte desse mundo, minha tia mais carinhosa também já foi embora, tenho infinitas dúvidas sobre tudo e às vezes me sinto mesmo um barquinho à deriva - como bem definiu o Diego.
Em seguida o Diego foi trabalhar, a Tamy ficou tão quieta que nem parecia estar aqui e eu tentei ver o filme 'O Lobo da Estepe' baseado no livro do Herman Hesse, e depois de uns quinze minutos de filme decidi que não era uma boa fazer isso, não hoje.
Por um milagre qualquer, depois de toda essa conversa maluca, eu acabei me recuperando rápido. Me levantei depressa, fui para a cozinha e enquanto lavava a louça alguma coisa aconteceu, não sei dizer exatamente o que, mas me deu um estalo e eu senti uma vontade louca de escrever, de criar, de fazer alguma coisa acontecer- por menor que fosse.
Decidi então fazer um outro blog e disponibilizar para qualquer pessoa que exista nesse vasto universo a minha história com o meu avô.
A editora que se interessou pelo meu livro está demorando demais para me dar qualquer parecer que seja. Meu editor simplesmente sumiu e todas as pessoas do mundo inteiro me dizem que essas coisas são realmente demoradas, no que eu preferi acreditar. Como muitos amigos queridos começaram a me cobrar, querendo ler meu livro, hoje resolvi fazer o tal blog.
Não sei se isso será bom ou ruim, mas acho que o que eu quero de verdade é que as pessoas conheçam essa história e sendo assim, tanto faz a forma com que isso aconteça.
Se você é um desses que estão querendo ler o meu livro, entra lá: meu avô & eu.
Espero que as pessoas realmente gostem, que se divirtam e se emocionem e depois venham me dizer o que acharam. Porque é verdadeiramente angustiante para um escritor não saber o que aconteceu depois.
Enquanto isso eu vou ficar aqui: comendo ruffles, rezando para as pessoas gostarem do meu livro e quem sabe uma editora menos lenta se interesse por ele e amando ainda mais o Diego e essa minha vidinha maluca.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Coisas pelas quais estou agradecida:

1 - Por ter um marido maravilhoso, que supre qualquer carência que eu possa ter. Alguém que me entende de verdade, me ama como sou, um grande amigo e companheiro para o que der e vier;

2 - Por finalmente ter um lar de paz, harmonioso e feliz de verdade. Nada melhor no mundo do que chegar em casa e poder dizer: "este é o melhor lugar do universo".

3 - Por morar em São Paulo, cidade do meu coração, onde estão todas as coisas que eu gosto de fazer. É aqui que quero viver;

4 - Por poder curtir o inverno gostoso, com friozinho de verdade, tomando chocolate quente em baixo do edredom, vendo filme com o meu amor;

5 - Por finalmente ter resolvido os dilemas do meu trabalho;

6 - Porque eu resolvi que quero logo ser mãe da Sofia ou Domingos (que não necessariamente será Sofia);

7 - Por poder ir num montão de cinemas e livrarias quando eu bem entender;

8 - Porque eu não preciso mentir absolutamente nada sobre a minha vida e nem adular ninguém que eu não goste de verdade para conseguir o que quero. Não preciso fingir e nem provar nada e principalmente não preciso me iludir que a minha vida é boa e feliz, porque ela realmente é muito boa e feliz;

9 - Porque eu tenho mais de 500 filmes que eu adoro;

10 - Pelo pão que nunca falta;

11 - Porque eu moro exatamente onde sempre quis morar, pertinho do parque ibirapuera;

12 - Porque eu sempre realizo os meus sonhos;

13 - Por não ser uma pessoa egoísta, ambiciosa e principalmente invejosa;

14 - Por ter poucos, mas amigos sinceros que realmente gostam de mim e sempre estão do meu lado quando eu preciso;

15 - Por não ter tido nunca uma vida fútil e vazia e por ter tido inteligência de aproveitar todas as oportunidades boas que a vida me ofereceu, não foram muitas, mas não carrego tristeza alguma porque nunca as desperdicei;

16 - Por ter conseguido ter algum estudo e por nunca ter me faltado trabalho;

17 - Por não carregar nenhuma culpa, nenhum arrependimento nem pelos erros que cometi (eles me fizeram procurar o caminho certo) e principalmente pelas minhas decisões. Cada dia que passa tenho mais certeza de que tomei decisões certas na vida;

18 - Por sinceramente não desejar o mal a ninguém e entender que muitas vezes as pessoas são tão imaturas e ingênuas que não tem nem noção do ridículo das suas atitudes;

19 - Porque estou me sentindo bela;

20 - Pela minha fé, que já removeu muitas montanhas;

21 - Por ter concluído muitas etapas na vida;

22 - Por não ter mais que lidar com pessoas problemáticas e complicadas;

23 - Por pagar sempre minhas contas em dia;

24 - Por ter coragem de fazer o que é certo, mesmo tendo que abrir mão de coisas e pessoas importantes, mesmo pagando um preço alto e até mesmo abrindo mão de ser amada;

25 - Por nunca ter feito nada que eu possa me envergonhar no futuro.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Decadence avec elegance

"Há muito tempo que eu já dizia
Toda essa chinfra não te garante
Você não sabe arte de saber andar
Nem de salto alto, nem de escada rolante

Sua vida não tem muito sentido
Sempre em dia com o seu atraso
Mas e daí ela se acha tão chic
Troca seu destino por qualquer acaso?

E perdeu a pose ...

Decadence avec elegance

Ela diz pra mim: Seja um bom rapaz
Pratique algum esporte, tenha bons ideais
Afinal de contas o fim do mundo não é nenhum fim de mundo
E se for? Descanse em paz

E no final da madrugada perambulando pelos bordéis
Decadence - é melhor viver
dez anos a mil,
do que mil anos a dez"

Decadence avec elegance
Lobão

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Conquistas

1 - Queria nascer menina - consegui em 1972;
2 - Aprendi falar, andar, correr cair e levantar em 1973;
3 - Parei de fazer xixi na cama em 1974;
4 - Aos três anos decidi parar de chupar chupeta e parei mesmo - Muita determinação!
5 - O diploma da Pré-escola conquistei em 1977;
6 - Ler e escrever aos cinco anos até que foi fácil;
7 - Compreendi aos seis anos o grande enigma da origem dos bebês;
8 - Maldita tabuada deu um trabalho danado, mas consegui;
9 - O medo de dormir no escuro sozinha enfrentei com coragem aos sete anos;
10 - Aos nove anos e meio concluí, com honras, o ensino fundamental;
11 - Aos dez fui desvendar a cidade grande ao lado de minha mãe;
12 - Aos doze sonhei ser mãe de uma menina e aos vinte realizei;
13 - Disse adeus à infância feliz e resignada aos treze anos e meio e me tornei mocinha;
14 - Eu queria beijar e o mocinho bonito da escola fez as honras em 1986;
15 - Aos quinze me lancei ao cruel mercado de trabalho;
16 - Queria casar, aos dezenove entrei na igreja de véu e grinalda;
17 - Aos vinte fiz minha primeira lasanha, meu primeiro sucesso gastronômico;
18 - Foi sozinha que estudei à exaustão para concluir o ensino médio;
19 - Queria aprender a dirigir aos 24 tirei minha carta;
20 - Quis ter uma casa...tive;
21 - Quis fazer uma faculdade, me formei em 2002;
22 - Desejei ter uma profissão bacana e por quatro anos me chamaram de 'assessora executiva' do Sr. Secretário de Turismo do Estado de Mato Grosso;
23 - Queria andar de avião e cruzei os céus brasileiros por algumas vezes;
24 - Queria um emprego em Sampa... trabalho aqui a 8 anos;
25 - Sonhei dirigir na avenida Paulista... fiz isso tantas vezes que já acho que é pesadelo;
26 - Quis emagrecer... dez quilos foram embora em 2008, mas sentiram saudades.
27 - Queria dirigir por um trecho longo... foram 2300 Km sozinha em 2009;
28 - Desejei escrever um livro... Obrigada vô!
29 - Quis ir para campos do jordão, angra dos reis, paraty e ubatuba... desde 2000 é destino certo;
30 - Queria xícaras vermelhas de bolinhas brancas, santa 25 de março me abençoou;
31 - Quis ter amigos, tenho os melhores...
32 - Quis um amor além da vida e o Diego apareceu;
33 - Quis ter saúde e ela nunca me faltou;
34 - Queria coragem para lutar... cá estou eu no meio da arena;
35 - Queria morar na vila... mora aqui há 5 anos!
36 - Queria uma família, tenho duas, três... talvez quatro;
37 - Eu quis voar e a vida me deu asas.
38 - Queria viver... estou respirando há 38 anos.

Eu conquistei tudo o que realmente desejei com fé, assim como todas as pessoas do mundo, mas elas nem se dão conta. O que eu quero agora? Agradecer... e continuar querendo, desejando e sonhando. Que a vida valha sempre a pena, para mim e para vocês.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Campos do Jordão

1 - É a cidade mais charmosa do país;
2 - Tem o café mais gostoso do mundo inteiro;
3 - O céu é azul e o clima perfeito;
4 - Tem música clássica na praça;
5 - Fica bem no meio da Serra da Mantiqueira;
6 - A estrada é linda...
7 - O lugar é lindo...
8 - Há flores em todos os lugares;
9 - É tudo tão aconchegante...
10 - Dá vontade de beijar o tempo todo;
11 - Dá vontade de viver lá;
12 - Tem chocolaterias maravilhosas...
13 - E restaurantes fabulosos;
14 - Já disse que amo Campos?
15 - Tem folhas de plátanos por todo chão...
16 - Tem trilho de trem;
17 - Tem o clima frio e o calor no coração.
18 - Quero voltar... sempre!


...

O dia estava perfeito e eles resolveram se mandar para Campos do Jordão no feriado.
Na bagagem: casacos , cachecóis, ruffles, suco, chocolate e a Mari...
Depois de pegarem o carro na locadora... pé na estrada.
O rádio tocando as músicas gostosas da Alpha FM até que deu, depois ouvimos a Band Vale, que nem é de toda ruim!
O que? São Paulo inteira teve a mesma idéia?
Tudo bem, nem mesmo os pequenos congestionamentos antes de pegar a Floriano tiraram nossa alegria.
Chegamos! A cidade continua linda... sempre linda!
Mas cadê o frio?
Tá na sombra, segundo a Mari:
"É um tal de tira bluso e coloca blusa..."
Colocamos a blusa e fomos comer. O lugar estava lotado, mas a comida muito boa.
Segundo o garçon: "...é de comer até cair duro..." Não caímos duros, mas minha dieta foi para o espaço com toda certeza.
A cidade respira alegria, liberdade... gente bonita em todo lugar.
Já reparou de todo mundo fica mais bonito no inverno?
E quase todo mundo em Campos do Jordão usa botas marrom...
E quase todo mundo quer ficar sentado nas mesinhas dos barzinhos no Capivari...
E nós também saímos em busca do café perfeito e o encontramos no Treviolo.
Um oásis no meio da multidão... lugar tranquilo, perfeito para um negro amor e muitas, muitas risadas...
O som gostoso de música clássica estava no ar... depois as flautas peruanas bem no meio da rua...
Campos do Jordão transpira música... Kiko Zambianchi deu o seu recado de graça na praça:
"Vejo em preto e branco coisas coloridas...", "Se alguém te faz sofrer, pra que lembrar?", "Meu caminho é cada manhã..." e dia foi mesmo bom como ele cantou: "estou bem para sempre..."
Curtimos tudo até o último instante... Na noite fria encaramos a vazia Ayrton Senna e logo estávamos em casa, com aquele típico gostinho de quero mais.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Demais (saudades demais)

Foi um vento que passou
Que te trouxe
E te levou
Deixando no coração
A marca do amor
Que ficou no ar
Ilusão luar
A chuva que esse vento
Traz
Faz com que
Eu me lembre mais
De todos os sonhos
Que a gente sonhou
Planejou demais
Demais
Bem que eu podia
Tentar te encontrar
Mas um vento forte
Que me afastou, te levou
Te escondeu
Longe demais
A chuva que esse vento
Traz
Faz com que
Eu me lembre mais
De todos os sonhos
Que a gente sonhou
Planejou demais
Demais
E cada vento
Que soprar
Pode te fazer voltar
Encher o vazio
Que ficou no ar
Fez doer demais
Me marcou
Demais

Verônica Sabino e eu

"Agora são três anos, três longos anos sobrevivendo sem o meu avô"

terça-feira, 6 de julho de 2010

Coragem

"Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências:
desistir,
ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem".


[Cáh Morandi]

enviado pela Noemyr

domingo, 27 de junho de 2010

Coisas que todo mundo deveria ter

1 - Um amor verdadeiro;
2 - Um sonho realizado;
3 - Um confidente;
4 - Pais carinhosos;
5 - Um cartão de crédito sem limites;
6 - Um lugar só seu;
7 - Amigos verdadeiros;
8 - Uma viagem inesquecível;
9 - Uma receita infalível;
10 - Uma boa idéia por dia;
11 - Um pijama velhinho;
12 - O dom de entender olhares;
13 - Sentimentos bons;
14 - Um edredom quentinho;
15 - Um fim de tarde na praia;
16 - Um filme preferido;
17 - Uma trilha sonora;
18 - Um livro de cabeceira;
19 - Um beijo roubado;
20 - O emprego dos sonhos;
21 - Um salário perfeito;
22 - Férias incríveis;
23 - Um passado bom de se lembrar;
24 - Fé no futuro;
25 - O dom de aprender com os erros;
26 - Paz!
27 - Um plano B, C, D...
28 - Elegância;
29 - Amor para oferecer;
30 - O dom de perdoar;
31 - Gentileza e gestos de carinho;
32 - Um sorriso bonito;
33 - Um amigo que saiba contar piadas e secar lágrimas;
34 - Vontade de viver;
35 - Poder de curar mágoas.

Valentín

Ela era Letícia, eu não!
Ele é o Valentin... um garoto argentino de oito anos, que não existe de fato.
Que nem sabe que já vi o seu filme várias vezes e não me canso...
Que acho ele um garotinho perfeito, que diz coisas na entrelinhas que me fazem pensar.
O Valentín é só um desejo... como Amelie Poulain, que também não existe.
Amélie e Vantín Jamais se encontrarão, mas posso imaginá-los juntos...
Posso vê-los roubando sorrisos e inventando a vida...
A vida simples que ambos têm...
A vida simples que eu quero ter.
E eu queria isso: que Amèlie e Valentín existissem.
Que fossem reais como eu e a saudade que chega sem pedir licença e te devolve à realidade.
E o Valentín tem a Letícia dele...
A Amèlie tem o Nino dela...
Eu tenho as minhas fantasias...
Mas eles jamais se encontrarão.
Adriana Mani - 02/03/2006




Valentín


O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain

Trailers:
Valentín
O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain

Nada é Para Sempre


"Podemos amar de forma completa e sem compreender completamente."

"Hoje pesco sozinho, pois na solidão toda vida se desfaz e sobram só alma e lembranças."

"Cada um de nós, uma vez na vida
vai olhar para um ser querido e fazer a mesma pergunta:
'Quero ajudar, mas de quê ele precisa?'
Raramente podemos ajudar os mais próximos.
Não sabemos o que podemos dar e frequentemente
o que temos para dar não é recebido."

"No final tudo se funde numa coisa só: um rio e a travessia dele."

do filme Nada é Para Sempre

***

Recentemente vi esse filme pela segunda vez, e uma vez mais fiquei bastante tocada pela história. O filme fala sobre a reflexão de como somos impotentes diante das situações da vida.
Muitas vezes queremos ajudar pessoas que nos são queridas, mas não sabemos como fazer isso e na maioria das vezes são as próprias pessoas que não querem ser ajudadas.
Até onde podemos insistir?
Até onde podemos interferir?
Mesmo sendo alguém muito próximo, você não tem como fazê-lo entender que você está munido das melhores intensões, não tem como mostrar à ele o mundo da forma que você vê. Mesmo tendo mais experiência de vida, as suas experiências só servem para você mesmo. É preciso que cada um encontre o caminho por si mesmo.
E o que fazer quando o ser querido tomou um caminho errado?
Como alertá-lo sem espantá-lo?
Às vezes é preciso deixá-lo encontrar sozinho o caminho de volta...
E enquanto espera... você sofre.
É muito difícil, ver alguém que amamos indo na direção contrária e você imóvel, sem poder fazer nada. Existe algo que se chama 'livre arbítrio' e por mais que você se preocupe, que ame, que queira ajudar... você não pode interferir nisso. Nas escolhas das pessoas.
Você só pode ter paciência e fé!
E como dormir em paz sabendo que alguém que ama está lá fora, tomando a direção errada, correndo riscos que nem sabe, fazendo escolhas das quais um dia irá se arrepender?
E como acalmar seu coração que grita desesperado... com medo, apertado... triste?
O que você pode fazer?
Como não se culpar?
Como continuar sorrindo?
Seu filho cresceu...
E você precisa deixá-lo ir...
E você precisa aprender a viver sem a sua presença...
Esperar que um dia volte, que um dia entenda, que um dia perceba que você o ama.
E aqui estou eu, nesse hiato entre as alegrias da infância do seu filho e a maturidade dele que ainda não chegou.
E esse pedaço é solitário, angustiante... e a única coisa que você pode fazer é esperar.
Lembrar-se que nada realmente é para sempre, nem mesmo a proteção materna.
***


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Nietzsche - Overdose


Fiquei magoado, não por me teres mentido,
mas por não poder voltar a acreditar-te.
***

Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.
***

O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.
***

Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.
***

As convicções são inimigas mais perigosas
da verdade do que as mentiras.
***

Quanto mais nos elevamos,
menores parecemos aos olhos
daqueles que não sabem voar.
***

Quem luta com monstros
deve velar por que,
ao fazê-lo, não se transforme também em monstro.
E se tu olhares, durante muito tempo,
para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.
***

Tudo é precioso para aquele que foi,
por muito tempo, privado de tudo.
***

É difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil.
***

Culpamos as pessoas das quais não gostamos
pelas gentilezas que nos demonstram.
***

O homem que vê mal
vê sempre menos do que aquilo que há para ver;
o homem que ouve mal
ouve sempre algo mais do que aquilo que há para ouvir.
***

Há uma inocência na admiração:
é a daquele a quem ainda não passou pela
cabeça que também ele poderia um dia ser admirado.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Isso não tem a menor importância!

Hoje é o aniversário de 80 anos da minha avó Conceição. Eu queria homenageá-la de alguma forma, então resolvi contar para vocês um pouco da admiração que tenho por ela.

Logo pela manhã liguei para ela e, para fazer uma graça, fingi não saber a idade dela. Para minha total surpresa descobri que ela esconde a idade. Não me disse, de jeito nenhum, que está fazendo 80 anos. Ficou brava até, disse que isso não é coisa que se pergunte para uma senhora.

Eu disse:
-Ah! Fala vó, me diz quantos anos a senhora tá fazendo...
-Por que você quer saber? - respondeu ela - Isso não é coisa que se pergunte.

-Só por curiosidade - insisti.
- Isso - continuou ela - não tem a menor importância!

- Se não tem importância então me fala! - tentei mais uma vez.

-Sabia que eu arrumei uma empregada nova? - desconversou ela - Ela é um amor, tão boazinha... fala aqui com ela, o nome dela é Sônia...

Não teve jeito, ela não me falou que está fazendo oitenta anos.
Vaidosa? Muito! O presente mais certeiro para ela são sabonetes, desses bem bonitos, com cheirinho de lavanda e bem delicados.
Não dorme sem usar um creminho antigo, que vejo desde pequena na cômoda dela: Rugol. Não sai de casa se a roupa não estiver impecavelmente passada, a blusinha combinando com a saia e o sapatinho, os cabelos arrumados num coque e uma água de colônia suave.

Uma vez, abri o armário dela e fiquei pelo menos um dez minutos admirando a arrumação: em cada cabide - devidamente virados na mesma direção (deve ser dela que herdei essas neuras)-havia uma blusinha e uma saia combinando e dispostos das cores mais escuras até as mais claras. Embaixo de cada dois ou três cabides um parzinho de sapato combinando com as roupas penduradas. Fiquei maravilhada com tanta dedicação.

Numa outra vez, eu reparei na mala dela. Ninguém, nesse mundo inteiro, arruma uma mala tão bem quanto a minha avó. Cada muda de roupa dobradinha, separada para cada dia e evento. Tudo passado e acomodado de uma forma que não amassa. A disposição das coisas na mala são milimétricamente arrumadas. Pensei “eu nunca vou conseguir arrumar uma mala assim ou ser tão metódica quanto a minha avó”. Ela deve ser a dona de casa mais organizada que já existiu.

Ela também é o tipo de mulher que vai à luta. Não fica esperando as coisas acontecerem. Está sempre reformando a casinha dela com as próprias economias, comprando móveis e fazendo planos.

Ela é tão pequena. Deve ter um metro e quarenta e três, no máximo!
É tão magrinha que deve pesar uns 43 quilos se muito.
O sapatinho dela é número 33...
Mas a dona Conceição é uma fortaleza.

Ela faz oitenta anos hoje. Não trabalhou fora desde que se casou, mas sempre deu um jeito de ter o dinheirinho dela - fazendo pães, bolos e doces para vender - e ainda hoje trabalha como voluntária na igreja.

Eu sempre vou me lembrar dela como alguém que não desiste daquilo que quer, que não tem medo de enfrentar os obstáculos e a pessoa de mais fé que eu conheço. Nunca a vi desistir de qualquer coisa que fosse.

Aprendeu a ler e escrever aos 47 anos. Fizemos isso juntas.
Hoje mesmo, me contou entusiasmada dos planos para a reforma que pretende fazer no banheiro, da viagem que quer fazer para rever a irmã e os sobrinhos no Rio de Janeiro, dos trabalhos na igreja e do mundo de possibilidades que a aguardam.

Minha avó - que tem oitenta anos - ainda faz muitos planos, tem tantos sonhos e é tão feliz.
Ela não se sente velha, não pensa nas dificuldades da idade e nem no tempo que lhe resta. Talvez por isso mesmo não gosta de dizer quantos anos tem.

Ela vai todos os dias à pé para igreja, continua cuidando do jardim e lavando a calçada - mesmo que a empregada já tenha feito isso.
Ela continua a mesma pessoa determinada e cheia de sonhos de quando eu tinha 6 anos de idade.
Continua insistindo naquilo que acredita, orando de madrugada pela família toda e fazendo tudo do jeito que ela quer e gosta.

Percebi, há muito tempo já, o quanto a minha avó é forte. O quanto ela sempre soube o que quer e eu a admiro muito por seu esforço, suas conquistas, determinação, fé e coragem.

E quer saber de uma coisa?
Realmente não tem a menor importância se ela está ou não fazendo oitenta anos.
Ela tem o coração de uma menina, a coragem de uma jovem e a experiência de quem já viveu e aprendeu muito.

Te amo vó!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Everybody´s Free



Porque às vezes precisamos mesmo nos libertar...

USEM FILTRO SOLAR!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

95 - Atitudes

Coisas que você pode fazer pela tua felicidade:

1 - Tenha autoestima, identifique suas qualidades e limitações;
2 - Seja alegre sempre, isso atrairá mais alegrias na sua vida;
3 - Seja sempre honesto consigo mesmo;
4 - Tenha visão!
5 - Perdoe seus inimigos, é dificil mas tente focar suas qualidades;
6 - Avance, evolua cada dia vença um obstáculo;
7 - Todos os dias faça algo por você mesmo, mesmo uma pequena coisa;
8 - Tenha fé!
9 - Seja sempre positivo;
10 - Não sofra por bobagens... seja caridoso!
11 - Não desperdice palavras com quem não quer te ouvir;
12 - Lembre-se que só pode mudar a si mesmo;
13 - Jamais faça fofocas;
14 - Descubra seu maior defeito e lute para combatê-lo;
15 - Seja sempre gentil, gentileza gera gentileza!
16 - Arrisque-se! Vá à luta!
17 - Reconheça seus sentimentos ruins e vença-os;
18 - Admire! Contemple!
19 - Não seja injusto;
20 - Seja bondoso;
21 - Acredite em si mesmo;
22 - Seja paciente o tempo coloca tudo no lugar;
23 - Desenvolva seus talentos;
24 - Aprenda sempre;
25 - Faça preces diárias;
26 - Reflita sempre sobre suas atitudes;
27 - Pratique sabedoria e união;
28 - Não coloque a sua felicidade nas mãos de outra pessoa;
29 - Experimente algo novo todos os dias;
30 - Se você fala muito, exercite o silêncio e aprenda ouvir e vice versa;
31 - Pequenas atitudes fazem a diferença;
32 - Não se vanglorie dos seus feitos;
33 - Seja terno, mas não fraco;
34 - Não seja dono da verdade;
35 - Seja discreto;
36 - Combata a preguiça, ela só te atrapalha;
37 - Coloque seus sentidos em ação... sinta, ouça... viva!
38 - Não use opinião alheia para guiar seu destino;
39 - Saiba que irá colher aquilo que plantar;
40 - Não seja ganancioso;
41 - Leia, ouça uma boa música, veja um bom filme;
42 - Não desperdize sua energia;
43 - Admita seus erros, mas não deixe de corrigí-los;
44 - Não se prenda ao passado;
45 - Seja sempre um bom exemplo;
46 - Descubra-se!
47 - Saiba quem é e o que quer;
48 - Cuide da sua aparência;
49 - Abra-se para as oportunidades;
50 - Saiba dizer não quando necessário;
51 - Trabalhe feliz!
52 - Cuide do Planeta, economize, recicle...
53 - Seja tolerante;
54 - Defina suas prioridas todos os dias;
55 - Cuide da sua espiritualidade;
56 - Respeite-se!
57 - Pense antes de falar, pense antes de calar-se;
58 - Mantenha equilíbrio em tudo que fizer;
59 - Recolha-se de vez enquando;
60 - Tenha sonhos, planos e objetivos;
61 - Compartilhe suas conquistas e suas alegrias;
62 - Pratique um esporte;
63 - Seja agradecido;
64 - Livre-se de tudo o que é inutil na sua vida... até mesmo pessoas;
65 - Procure a felicidade nas pequenas coisas;
66 - Acredite no amor;
67 - Não tenha muita pressa;
68 - Estude sempre!
69 - Não reclame!
70 - Seja maleável e flexível;
71 - Saiba economizar;
72 - Aceite as críticas construtivas;
73 - Não tente agradar a todos;
74 - Valorize quem sempre está ao teu lado;
75 - Treine-se para encontrar soluções;
76 - Não sofra por antecipação;
77 - Não sufoque suas emoções;
78 - Não julgue as pessoas;
79 - Abrace mais vezes as pessoas;
80 - Diga mais "eu te amo";
81 - Seja solidário!
82 - Não perca tempo!
83 - Tome iniciativas;
84 - Se preciso dê o braço a torcer, escolha ser feliz ao ter razão;
85 - Tenha o coração leve e aberto;
86 - Não perca a esperança;
87 - Preste atenção ao que te faz feliz;
88 - Corra atrás dos sonhos;
89 - Não desista de seus objetivos por piores que seja a situação;
90 - Seja constante;
91 - Fuja de pessoas pessimistas;
92 - Controle sua raiva;
93 - Tenha amigos afetuosos;
94 - Faça boas escolhas;
95 - Em tempos de crise... CRIE!

(publicado na revista UMA número 100)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Talvez

"Talvez eu venha a envelhecer rápido demais. Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.
Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer de minha vida. Mas farei que elas percam a importância diante dos gestos de amor que encontrei.
Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais. Mas jamais irei me considerar um derrotado.
Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda. Mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.
Talvez um dia o sol deixe de brilhar. Mas então irei me banhar na chuva.
Talvez um dia eu sofra alguma injustiça. Mas jamais irei assumir o papel de vítima.
Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos. Mas terei humildade para aceitar as mãos que se estenderão em minha direção.
Talvez numa dessas noites frias, eu derrame muitas lágrimas. Mas não terei vergonha por esse gesto.
Talvez eu seja enganado inúmeras vezes. Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha confiança.
Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros. Mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.
Talvez com o decorrer dos anos eu perca grandes amizades. Mas irei aprender que aqueles que realmente são meus verdadeiros amigos nunca estarão perdidos.
Talvez algumas pessoas queiram o meu mal. Mas irei continuar plantando a semente da fraternidade por onde passar.
Talvez eu fique triste ao concluir que não consigo seguir o ritmo da música. Mas então, farei que a música siga o compasso dos meus passos.
Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris. Mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.
Talvez hoje eu me sinta fraco. Mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.
Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias. Mas terei a consciência que os verdadeiros ensinamentos já estão gravados em minha alma.
Talvez eu me deprima por não ser capaz de saber a letra daquela música. Mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.
Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações. Mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas.
Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se a minha companheira. Mas ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo.
Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser. Mas passarei a admirar quem sou. Porque no final saberei que, mesmo com incontáveis dúvidas, eu sou capaz de construir uma vida melhor.
E se ainda não me convenci disso, é porque como diz aquele ditado: “ainda não chegou o fim”Porque no final não haverá nenhum “talvez” e sim a certeza de que a minha vida valeu a pena e eu fiz o melhor que podia."
Aristóteles Onassis

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Enquanto Espero

Todos os dias passo um bom tempo olhando fotos pelo flickr.
É nessas horas que eu viajo pela vida que quero levar, os lugares que quero ir, as cores, aromas e sabores que ainda quero experimentar. Tudo parece tão perfeito que me esqueço que todos os dias passo pelo menos oito horas simplesmente esperando.
Esperando alguma coisa acontecer. A empresa onde trabalho continua sem muitos planos, sem muito trabalho e sem muitas expectativas, mas continuamos esperando.
E todos os dias eu me sinto uma sobrevivente. Sobrevivendo ao nada, ao marasmo, à essa longa espera. Sobrevivo à falta de um salário justo e a volta dos maravilhosos benefícios, à falta de perspectivas e à desmotivação.
Enquanto isso me sobrecarrego de afazeres ao chegar em casa num paradoxo que chegaria a ser cômico se não fosse quase trágico. Passo oito longas horas diárias esperando por mais trabalho que não vem e quando o dia acaba corro feito louca para colocar a casa em ordem, as contas em dia e a vida no lugar...
Enquando espero pelo momento de ir para casa, imagino a vida que em breve terei , escrevo e sonho...
E eu sei que alguma coisa VAI acontecer, algo de muito bom e compensador. Para a empresa e seus donos, para as pessoas que dependem dela e para mim também.
Eu sei que algo maravilhoso está prestes acontecer.
Toda essa luta diária pela sobrevivência não há de ser em vã.
Toda essa preocupação e medo... até mesmo a angústia que muitas vezes nos entala na garganta certamente trarão doces frutos.
A vida é bela, maravilhosa em toda a sua essência... eu consigo perceber isso quando olho o céu azul e iluminado toda manhã... quando passeio pelo parque e vejo a natureza tão exuberante e tão vibrante. Eu sei que esse pedacinho chato, sem muita grana para o lazer e as chateações de contas e mais contas para pagar é apenas uma fase, um tempo de vacas magras, como meu avô dizia... É apenas o plantio!
E hoje eu planto esperança para em breve colher realizações e prosperidade.
Hoje planto para muito em breve colher mais amor, saúde e felicidade.


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Diego


Usa óculos, tem a boca e sorriso lindos!

Estudioso, inteligente, tem a melhor gargalhada.

É o amor da minha vida, marido mais perfeito do mundo todo.

Em breve será pai da Sofia e quem sabe do Domingos.

Cinéfilo, gosta de ler e de boa música.

Toca violão e baixo.

Amo tanto... pelo rest de ma vie!

Andy Warhol & Us

O dia estava mesmo com cara de Sampa. Assim meio frio, meio cinza, ameaçando chover. Bem do jeito que nós - Diego e eu - gostamos.
Perfeito para ficar em casa vendo filminho de baixo do edredom. Mas queríamos muito ver a exposição do Andy que estava acontecendo na Pinacoteca.
Lá fomos nós: ônibus, metrô, Estação da Luz! Chegamos às dezesseis horas. Nem deu tempo de visitar o Parque da Luz - ficou para a próxima.
A exposição nem era na Pinacoteca, mas na Estação Pinacoteca. Tudo lotado!
Não conseguimos sequer olhar direito as obras, mas saí de lá com a minha magnífica caneca campbell´s.
Legal mesmo foi termos passado na lojinha da Imprensa Oficial - que fica na Estação da Luz.
Milhares de livros sobre cinema. Os olhinhos do Diego brilharam e brilharam ainda mais quando achou um livro que ele queria há tempos. Saímos de lá felizes da vida. No final das contas saímos no lucro.
Nosso estômago deu sinal de vida e lá fomos nós de novo: metrô, Consolação, Center Três!
Enfim matamos a fome e dessa vez não derrubei o prato no saguão lotado do shopping - como fiz da outra vez.
De repente, chuva!
Era o que faltava para querermos voltar correndo para casa.
-Mas como? - nos perguntamos.
-Guarda-chuva novo, oras! Xadrezinho de vermelho e azul - uma graça!
Depois de dez minutos de espera desistimos do ônibus e fomos de táxi.
No caminho resolvemos parar no mercado e comprar um vinho e queijos.
Quase chegando em casa -enquanto o sinal estava fechado - ele me pede um beijo - ali mesmo sob a chuva que o guarda-chuva novo mal protegia.
O beijo estava bom, muito bom, mas o maldito invejoso que, passou de carro e, nos molhou dos pés à cabeça não era nada bonzinho.
O farol finalmente abriu para pedestres encharcados e em dois minutos estávamos em casa tomando uma ducha quentinha.
De banho tomado brindamos ao fato de estarmos em casa - de pijama e chinelinho -, felizes e protegidos do frio e da chuva, tomando nosso vinho português enquanto o molhador de casais apaixonados ainda devia estar preso num trânsito infernal e caótico. Assim espero!



quarta-feira, 5 de maio de 2010

40 - Saudades


1- Do meu vestidinho amarelo de quando eu tinha 5 anos;
2- Do cheiro do café fresquinho da minha avó;
3- De ficar dançando as músicas do ABBA com a minha mãe quando eu tinha 6 anos;
4- De fugir de casa, aos 7 anos, para tomar chá com a dona Verdilina nossa vizinha;
5- De chegar correndo da aula, trocar de roupas e ir jogar bets na rua;
6- Do bolo de fubá cremoso da minha mãe;
7- De ouvir minha avó cantando canticos religiosos quando chovia;
8- De olhar a lua com o meu avô;
9- Da risada gostosa da minha tia Isa;
10- De passar a tarde toda em cima do pé de goiabas;
11- De fazer uma montanha de gibis ao lado da rede e passar a tarde lendo;
12- De roubar jabuticabas no quintal do "seu" Chico;
13- Das histórias de fantasma da tia Maria;
14- De comprar pão no boteco do "seu" Pedro do Bar Neusa;
15- De buscar leite na chácara do "seu" Lázaro;
16- De fazer a maior bagunça tomando banho de mangueira no quintal no verão;
17- De jogar pedrinhas antes da aula começar;
18- De rabiscar o tênis, o estojo, a mão com 007, para não ter que pagar castigo;
19- De ficar rodando, fingindo ser a mulher maravilha, depois de assistir o seriado;
20- De pegar a bicicleta e sumir a tarde toda andando por todos os lugares;
21- De jogar truco com meu avô, minha tia e meus primos;
22- De gritar a dona Néca da cerca pedindo um pouco de cebolinha da horta dela;
23- De gritar a Edilane da cerca chamando ela para brincar de casinha;
24- De ouvir as broncas da minha tia porque deixei meus brinquedos jogados;
25- De ensaiar os passos de "Não se Reprima" no salão da mãe da Celinha;
26- De ouvir a vizinha gritando: "Ô wiliaaaaaaaaaaa vem tomar banho!";
27- e logo em seguida ouví-la gritar: "Ô creitôoooo vem tomar banho!";
28- e então a voz da minha avó: "Adrianaaaaaaa vem tomar banho!";
29- E depois do banho tomado assistir o Meu Pé de Laranja Lima com o meu avô;
30- De tomar a sopa gostosa da minha tia fazendo um barulhão com a boca;
31 - Dos pãezinhos pequeninos que a minha vó fazia (um para cada neto);
32 - De assistir o desenho do Garoto Juca com o meu irmão;
33 - De desvendar o que as minhas tias falavam na língua do Pê;
34 - De pegar a camisa listrada da minha mãe sem pedir para usar;
35 - De passar a tarde mexendo nas coisinhas do quarto da minha tia;
36 - De ouví-la brava no fim do dia perguntando "quem mexeu nas minhas coisas?";
37 - De fazer planos mirabolantes com a minha prima Thaís;
38 - De fugir no meio da tarde e tomar café com bolinho na casa da tia Emília;
39 - De ajudar minha vó aguar as flores e a horta;
40 - Das cores da minha infância!

Um dia Perfeito!

O céu é azul e tem poucas nuvens...
Há flores e cores por todos os lados...
Tem também um vento gostoso de início de outono e a luz do sol invade a casa pela janela da sala. Na sacada as primaveras exibem suas flores e da cozinha vem o cheiro de café fresquinho.
A música gostosa no rádio nos convida para uma dança e logo a dança vira uma corrida de pega-pega... Há gargalhadas pela casa inteira!
Hoje o almoço é na varanda e tem macarrão da nonna, de sobremesa pudim de leite.
A tarde é longa... muito longa...
O passeio é de bicicleta de cestinha e o cesto está cheio de guloseimas e um bom vinho...
Toalha xadrez na grama verdinha e o livro da julia child para terminar de ler.
Eu leio e ele fotografa. Depois deita do meu lado e faz carinho enquanto os cisnes brancos passeiam no laguinho.
As paisagens ao redor lembram positano...
Depois da soneca voltamos para casa onde os amigos aparecem para jogar conversa fora...
Alguém convida para um filme e o cheiro de pipoca invade o ar.
O filme é engraçado e novas gargalhadas ecoam pela casa.
Depois do filme o sol se põe numa visão privilegiada e o vento frio vem saudar a noite.
A família toda de pijama e chinelinhos invadem a cozinha enquanto faço a sopa.
Cada um tem uma história para contar: o marido conseguiu o patrocínio, a mais velha foi promovida no emprego, a do meio fez um lindo desenho - nós o penduramos na cozinha - e o caçula prendeu o dedo no portão. Não machucou, mas ele faz manha.
O papai dá um beijo e logo a manha passa.
A mamãe finalmente terminou o enorme cobertor colorido de crochê!
Tem sopa de legumes e muito queijo, tem pão quentinho e muita alegria...
Depois da história os pequenos dormem instantaneamente!
Os apaixonados?
Apagam a luz e dormem abraçadinhos.

40 - Filmes

1. VALENTIN - amo muito esse menininho argentino que tem 8 anos;
2. UMA VIDA ILUMINADA - locação mais linda, cheia de girassóis;
3. A LÍNGUA DAS MARIPOSAS - emoção total, lindo
4. PEIXE GRANDE - histórias bem contadas;
5. ETERNO AMOR - porque o amor é mesmo eterno;
6. SOB O SOL DA TOSCANA - me deu esperança!
7. MY HOUSE IN UMBRIA - a velhice, a solidão e os amigos;
8. A GUERRA DOS BOTÕES - coisas de meninos;
9. A CULPA É DO FIDEL - um olhar infantil sobre coisas de gente grande;
10. PIAF - UM HINO AO AMOR - cenas tocantes;
11. SEDE DE VIVER - Porque eu amo Van Gogh;
12. A COR PÚRPURA - lágrimas e esperança;
13. CARRINGTON DIAS DE PAIXÃO - o amor não escolhe;
14. SONHOS DE KUROSAWA - pura arte;
15. EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA - fantasia;
16. NOITES DE CABÍRIA - Fellini não carece explicação;
17. MODIGLIANI PAIXÃO PELA VIDA - emocionante;
18. O SOL É PARA TODOS - Gregory Peck impecável.
19. FRIDA - Cores do México;
20. ACROSS THE UNIVERSE - Beatles, beatles, beatles
21. O CARTEIRO E O POETA - Viva Neruda!
22. CINEMA PARADISO - pura magia;
23. DUBLÊ DE ANJO - encantador;
24. O MENINO DO PIJAMA LISTRADO - reflexão;
25. ALMOÇO EM AGOSTO - a mesa italiana;
26. A TETA ASSUSTADA - folclore;
27. ELSA E FRED - porque o amor não tem idade;
28. LADRÃO DE BICICLETAS - clássico italiano;
29. CHOCOLATE - delicioso;30.
A GLÓRIA DE MEU PAI - conquistas;
31. NA NATUREZA SELVAGEM - escolhas;
32. VOLVER - porque não pode faltar amodóvar;
33. ADEUS LENIN - porque as coisas mudam;
34. EDUKATORS - porque tem pessoas que nunca mudam;
35. A CASA NO FIM DO MUNDO - porque o fim do mundo não é ruim;
36. KOLYA - uma lição de amor;
37. A CIDADE DAS CRIANÇAS - bela fotografia;
38. O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAIN - cores;
39. OSAMA - medo, dor...
40. A EXCENTRICA FAMILIA DE ANTONIA - belo

*não necessariamente nessa mesma ordem

40 - Livros


1- GINA foi o primeiro mas nunca terminei de ler, tive que devolver para a escola nas férias;
2- O PEQUENO PRÍNCIPE já li algumas vezes, a primeira foi aos 12 anos;
3- O mais queridinho de todos é ANARQUISTAS, GRAÇAS À DEUS - lí três vezes;
4- MINHAS MULHERES E MEUS HOMENS foi o primeiro do Mario Prata;
5- Ultimamente estou lendo três: MINHA VIDA NA FRANÇA comecei primeiro;
6- Depois veio AGOSTINHO MARTINS PEREIRA - O IDEALISTA, livro biografia do meu vizinho cineasta;
7- E agora tive que começar a ler ALICE que é o último que comprei;
8- O MUNDO DE SOFIA eu nunca consegui terminar;
9- Li há uns sete anos O RETRATO DE DORIAN GRAY;
10- Li toda a coleção do Para Gostar de Ler e descobri OS SONETOS de Vinícius;
11- Já Li O AMOR É FOGO da Nora Ehpron;
12- MADAME BOVARY ainda me aguarda;
13- mas já li OBRAS COMPLETAS do Fernando Pessoa;
14- A MULHER DE TRINTA ANOS, li quando virei Balzaquiana;
15- Recentemente descobri AS FRANGAS do Caio Fernando de Abreu;
16- CITTÁ DI ROMA é o meu segundo preferido da Zélia Gattai;
17- Confesso que já li O ALQUIMISTA, tinha 23 anos e não é que gostei dele?
18- MINHAS TUDO me fez rir à valer... de novo Mário Prata;
19- Do marido da Zélia só li DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS;
20- Biografias me interessam: ANDY WARHOL foi a mais longa;
21- VAN GOGH a que mais gostei de ler;
22- Já li o tal PRÍNCIPE do Maquiavel e achei um porre!
23- Achei o mesmo sobre a ARTE DA SABEDORIA MUNDANDA do Baltasar Gracian;
24- CARTAS À THEO é emocionante... só podia ser!
25- Já Li NANÁ do Emile Zola;
26- DOIDAS E SANTAS da Martha Medeiros;
27- Fiz as pazes com Cazuza depois de CAZUZA SÓ AS MÃES SÃO FELIZES;
27- O JOVEM WETHER de Goethe me conquistou para sempre...
28- Assim como Hermann Hesse e seu JOGO DAS CONTAS DE VIDRO;
29- CHÁ DAS CINCO COM ARISTÓLETES me fez gostar do Oscar Wilde;
30- Jack Kerouac me pegou mesmo foi com VIAJANTE SOLITÁRIO;
31- A VIDA É BELA é pequeno e dá para ler todo dia de tão gostoso que é;
32- UM ANO NA PROVENCE me fez querer morar na França...
33- e BELA TOSCANA me fez querer morar na Itália;
34 - Já COMER, REZAR, AMAR me deu vontade de viajar por ai...
35 - A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS me fez chorar;
36 - LEMBRANÇAS DE ANNE FRANK também;
37 - Já CÓDIGOS DE FAMÍLIA me fez rir que nem maluca...
38 - UM CHAPÉU PARA VIAGEM também!
39 - Essa lista é pequena, mas ainda cabe CEM DIAS ENTRE CÉU E MAR...
40 - e cabe toda minha coleção DE HISTÓRIA DA ARTE.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Longe Dele

1 – o dia sem ele passa terrivelmente devagar;
2 – mas poderia esperá-lo por toda vida;
3 – a distância só deixa mais claro o quanto o amo;
4 – dois dias que parecem eternos;
5 – amanhã essa angústia acaba;
6 – é um exagero, mas dois dias sem ele é muito;
7 – já olhei as nossas fotos;
8 – já fiz um álbum chamado “l´amour”;
9 – já vi filmes, ouvi músicas, varri a casa;
10 – conversei com as gatas e aguei as plantas;
11 – saudade é coisa estranha
12 – ao mesmo tempo que te deixa triste te deixa feliz;
13 – já vim para o trabalho;
14 – já corri 9 km no parque;
15 – já tomei banho demorado;
16 – já lavei os cabelos;
17 – e as horas simplesmente não passam...
18 – tudo que faço é pensar no momento de vê-lo outra vez
19 – nos abraços, beijos e carinhos...
20 – tudo que faço é querer que as horas passem.
21 – eu sei, eu sei... é exagero!
22 – mas como explicar para o meu coração?
23 – como fazê-lo entender que isso é tão irracional?
24 – são apenas dois dias e isso não é o fim
25 – mas meu coração não quer nem saber dessa coisa de racional
26 – só faz doer de saudade
27 – exagerado e egoísta!
28 – eu digo para ele: são DOIS dias!
29 – e ele responde: 48 horas!
30 – pensa um pouco mais e diz: 2880 minutos!!
31 – 172.800 segundos!!!!
32 – e pelo jeito vou contar cada um deles...
33 – me desespero!
34 – ahhhh! um bom dia com eu te amo no meu scrapt!
35 – me distraio um pouco com isso...
36 – mais tarde um recadinho “saudades amor da minha vida” no msn...
37 – eu perco alguns minutos olhando na tela o recado que ele deixou antes de sair
38 – 24 horas já foram... faltam só mais 24!
39 – e lá vou eu: ir p/ trabalho, varrer a casa, ouvir música, mexer na net...
40 – tudo de novo para ver se paro de contar os 86.400 segundos que faltam.

Saudades do meu amor


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

La Vie en Rose - Edith Piaf

Tradução:
Olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde em sua boca
Ai está o retrato sem retoque
Do Homem a quem eu pertenço
Quando ele me toma em seus braços
Ele me fala baixinho
Vejo a vida cor-de-rosa
Ele me diz palavras de amor
Palavras de todos os dias
E isso me toca
Entrou no meu coração
Um pouco de felicidade
Da qual eu conheço a causa
É ele pra mim, eu pra ele na vida,
Ele me disse, jurou pela vida.
É assim que eu o vejo
Então sinto em mim
Meu coração que bate
Noites de amor que não acabam mais
Uma grande felicidade que toma seu lugar
Os aborrecimentos e as tristezas se apagam
Feliz, feliz até morrer....

Porque a vida é mesmo rosa desde que o Diego chegou!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Os excêntricos em viagem

1 - Eles decidem viajar 2.300 km de carro um dia antes da viagem;
2 – Ela dirigiu sozinha os 2.300 km (sorry Di);
3 – Ele devia cuidar do mapa, mas o perdeu na primeira parada;
4 – A primeira parada foi no Rodoserv o número um da América do Sul... Tinha wi-fi e tudo;
5 – O carro não tinha som, mas eles apelaram para notebook e celular e ouviram músicas estranhas a viagem toda;
6 - Eles pararam em Três Lagoas para abraçar a Lu, Wagner e Saryd;
7 – Ficaram espantados com as histórias do Wagner;
8 – Pegaram chuva em Campo Grande e o primeiro arco-íris;
9 – Apesar dele ter esquecido o mapa eles não se perderam;
10 – Desceram a perigosíssima serra de São Vicente à noite, com chuva torrencial e chegaram sãos e salvos;
11 – Chegaram em Cuiabá as 22:00 e sem avisar foram bater na casa dos amigos;
12 – Eles viram a Rêeeee;
13 – Ele deve ser a única pessoa a ter sentido frio em Cuiabá em dezembro – ligaram o ar no último e depois não sabiam desligar;
14 – Eles não saíram da piscina durante todo o tempo em Cuiabá;
15 – Ele foi para a Chapada e não viu a Véu de Noiva, nem a Cidade de Pedra, depois dela ficar meses falando desses lugares no ouvido dele;
16 – A culpa foi da SEDTUR que fecha a entrada de terças e da Chapada estar desmoronando... triste, muito triste!
17 – Eles seguiram a viagem por estradas cada vez piores, o auge foi em Sorriso e Itaúba, a estrada virou pó;
18 – Viram por do sol belíssimos e aves raras voando livres;
19 – também viram a devastação que a soja causou, invadindo tudo com um imenso tapete verde;
20 – Entraram em Itaúba só para achar a casa que o Wagner morou;
21 – Chegaram á Colider na maior penumbra e quando a cidade surgiu gritaram felizes por ver luzes novamente;
22 – Fizeram a maior algazarra na chegada;
23 – Reviram parentes e amigos;
24 – Sentiram o maior calor do mundo em Colíder, mas viram um tucano voando;
25 – Não saíram da piscina durante o dia de natal inteiro;
26 – Cumpriram promessas e missões;
27 – Choraram de felicidade e de tristeza também;
28 – Se despediram com dor no coração;
29 – Voltaram para Chapada, mas não conseguiram de novo ver a Véu de Noiva;
30 – Comeram a melhor comida mato-grossense no Morro dos Ventos;
31 – Viram a melhor vista do Mirante;
32 – Trocaram beijos bem no meio da América do Sul;
33 – Se arriscaram na pedra do Mirante, só para terem belas fotos;
34 – Tomaram banho de cachoeira na Salgadeira;
35 – Fotografaram estranhos, riram de si mesmos;
36 – Ficaram no hotel mais bizarro do mundo;
37 – Assistiram a uma garota fazer milhões de perguntas por segundos;
38 – Se despediram da Thaís e do Gui e foram para o aeroporto;
39 – Esperaram o vôo para Sampa por 4 horas em Brasília e a Manu nem tava lá;
40 – Chegaram sãos e salvos a tempo de rir p/ valer na São Silvestre e brindar 2010 na sacada de casa.