sexta-feira, 27 de maio de 2011

Janela Indiscreta

Ando com tanta vontade de escrever, mas cadê o tempo?

Queria ter escrito esse post antes, mas só hoje consegui um tempinho.


Há uns dois sábados, de manhã, estava distraída na pia, quando me dei conta de quantas coisas podem acontecer, bem ali no seu nariz, pelo curto espaço de tempo em que você lava louças.

Enquanto lavei meia dúzia de copos, alguns pratos e talheres, da janela pude acompanhar alguns acontecimentos: um garoto, de uns 13 anos no máximo, magro e sujo, passou do outro lado da rua visivelmente agitado, com o nariz e a boca dentro de um saco plástico, não menos sujo, cheirando cola. Alguns passos à frente ele enrolou o saco e o colocou no bolso.

Em seguida passou uma senhora, com roupa de ginástica, levando seu cachorro para se aliviar ali mesmo na calçada. Achei que ela fosse recolher o "alívio" do cãozinho, mas ela continuou seu trajeto deixando para trás além das fezes do cão a própria vergonha.

Depois passou um senhor idoso todo agasalhado, andando a passos lentos, com um ar de indignação, talvez pelo presente que o cãozinho da senhora esportista havia deixado na calçada há instantes.

Fiquei ali perdida em pensamentos enquanto passaram jovens, garotos, outros senhores e senhoras, um entregador de águas andando com sua bicicleta pela calçada e quase atropela uma menina, crianças falando alto, muitos carros. Um deles ouvindo um funk na maior altura, como se o resto do mundo fosse obrigado a compartilhar do mesmo gosto musical dele.

Quem passa pela movimentadíssima avenida Santo Amaro, não imagina ou nem se dá conta de que pode estar sendo observado. E há muito o que observar: os alunos entrando e saindo do prédio da faculdade, os clientes almoçando no restaurante em frente, o entra e sai na padaria, as entregas e retiradas na marcenaria, os adolescentes transgredindo a lei e bebendo no boteco, uma infinidade de prédios comerciais e apartamentos...

Essa história me lembrou o filme Janela Indiscreta, que assisti recentemente com o Diego.
Embora eu não tenha tanto tempo livre, como o protagonista do filme, para observar e acredito que nenhum crime ocorreu na vizinhança, pude compreender perfeitamente o Jeff.

Fica a dica do ótimo filme do mestre Hitchcock.
Para saber mais sobre o filme, clique aqui!