quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Gravidíssima!

 Feliz, feliz, feliz!

Eu vou ser mamãe!
Não é maravilhoso?

Os excêntricos pais de Sofia (quem nem será mais Sofia provavelmente) finalmente serão papais.

A vida não é linda?


 a mamãe!
o papai!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Santa? Ninguém é, né?



Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar o nosso poder de sedução para encontrar the big one, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá prá ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso, temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar loura e cafetina, ou sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha. Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra.
Martha Medeiros

domingo, 12 de agosto de 2012

Dúvidas!

Outro dia me fiz a seguinte pergunta: 

"Se eu tivesse a plena convicção de que a vida é apenas material, e nada além da matéria, o que eu faria?"

Escrevi onze páginas sobre isso num velho caderno, depois guardei o caderno sem ler o que havia escrito. Sábado, uma amiga me pediu para eu ler essa resposta para ela. 

Quando finalmente li o texto, em voz alta, me surpreendi muito com o que eu havia escrito. 
Lendo como se fosse o meu primeiro contato com os escritos, me senti mais em paz com relação as coisas que acredito. Mesmo que eu nunca encontre as verdadeiras respostas, se é que há alguma, sobre os meus tantos questionamentos, o que vale mesmo é continuar a busca. Eis o texto:

"Se eu tivesse a certeza absoluta de que não há nada além da vida material, certamente não faria mais nada do que não quero e não gosto de fazer. Sequer me importaria de continuar existindo, não faria a menor questão de continuar vivendo nessa angústia que é estar em meio a tantas mazelas, injustiças, desigualdades, robalheira, políticos e poderes corruptos, violência e decepções.

Se eu acreditasse que não há mais nada, absolutamente nada, além desse nosso curto espaço de tempo, tão efêmero e que as coisas todas a minha volta nunca irão melhorar ou serem compreendidas, por que iria querer ficar? Por que desejaria me tornar alguém melhor, mais culto, mais gentil, mais educado ou generoso? Por que iria querer amar? Se o amor seria apenas mais uma forma de dor. Um belo dia alguém, dos que amo, morreria e isso seria o fim de tudo o que eu tivesse vivido com essa pessoa e tudo ficaria inconcluso para todo sempre. Você simplesmente passaria o resto dos seus dias tendo que conviver com a saudade e a dor de que jamais recuperaria os momentos, os prazeres e felicidade de estar novamente com essas pessoas. Isso seria um verdadeiro inferno, viver sem esperança alguma de que um dia retomaria essas relações interrompidas. Sem esperança alguma de que tudo no Universo faça sentido - porque ao menos para você nunca faria. Por que iria querer continuar vivendo se jamais iria concluir algo ou aprimorar as minhas relações com as pessoas? Em algum momento tudo se perderia e tudo que aprendi, evolui e experimentei seria um desperdício de tempo apenas, pois jamais teria utilidade.

Talvez seja necessário passar por experiências únicas, como perder alguém que realmente ame, para compreender - ainda que tenha mil dúvidas em relação a isso - a fé e crenças completamente absurdas para a ciência atual e encontrar lá no íntimo do seu ser uma intuição - ou qualquer outra coisa - para crer que a vida não seja apenas esse pedaço tão curto, conflituoso e perturbador de tempo. Talvez o desejo de continuar é que nos faz crer que exista algo além, que a vida continua numa esfera que desconhecemos, de uma forma que sequer somos capazes de conceber.

Da mesma forma que a ciência, ainda, não consegue aceitar a existência de um mundo invisível e completamente desconhecido - e se apoia no fato de que nunca se provou  a existência desse mundo - o inexplicado existe e deve haver alguma razão para tantas coincidências que são necessárias para justificar acontecimentos que a ciência também não consegue explicar. Se a vida imaterial não existe, como se justificariam essas tantas experiências sobrenaturais que milhares e milhares de pessoas vivenciam todos os dias? Seria necessário que todas as pessoas estivessem mentindo o tempo todo ou que houvessem milhares e milhares de coincidências em cadeia para justificar todas essas experiências. Que tipo de coincidência explicaria lembranças, comprovadas de outras vidas, por exemplo? E se é a própria pessoa quem cria esses acontecimentos todos, como elas conseguiriam saber de coisas reais e até então desconhecidos dela?

Foi preciso me despir de todas as coisas e tudo que me foi imposto ao longo da minha existência: religiões, filosofias, fé, estudos científicos, pesquisas, sugestões... Absolutamente tudo para conseguir pensar no que eu acredito de fato! Feito isso, no final dessa experiência o que restou foram outras questões - que abrem a possibilidade da existência de algo além da matéria. Se eu realmente conseguisse me libertar de tudo, tudo mesmo o que aprendi, ouvi, vivenciei ou fui sugestionada, ainda assim eu estaria me perguntando coisas como:

1 - O que existia antes do Big Bang? Se tudo estava comprimido num único átomo, de onde surgiu esse único átomo que acabou dando origem a tudo que existe no Universo?

2 - Se tudo existe desde sempre, que diabos de ciclo infernal é esse que nunca teve um início? Como pode algo não ter início?

3 - Se não há razão alguma que justifique a nossa existência, por que raios desde o homem pré-histórico somos impulsionados a buscar incansavelmente essa razão?

4 - Como ignorar a evolução humana, se ela é um fato? Se desde a invenção da roda o homem cria, inventa e vem sendo capaz de avançar tecnologicamente, intelectualmente e moralmente - sem regresso algum em nenhum momento?

5 - Por que temos todos essa necessidade tão grande de evoluir, descobrir e compreender? De desbravar o Universo inteiro, nossas próprias células e tudo o mais que nos cerca?

6 - Por que temos esse sentimento inato de total impotência, essa angústia por não compreender e esse desejo intenso de entender a vida?

7 - Como se explica e se justifica, de forma racional, as desigualdades, a violência, o amor, o apego e a nossa infinita capacidade de criar teorias e tentar de alguma forma explicar as coisas a nossa volta?

Se eu realmente conseguisse me libertar de toda a crença, de todo o desejo, de todo o sentimento e intuição, não me sobraria nada. A vida para mim seria completamente desnecessária. Por que viver se nada nunca teria um propósito e nós já nascemos buscando esse propósito em tudo? Por que viver se todos os meus esforços serão sempre inúteis? Por que me privar de desejos, ter ética e respeito? Por que ser honesto? Por que sofrer ou ser feliz, se nada disso teria a menor importância? Se nada disso nunca teria uma utilidade? Por que me levantar todos os dias desejando ser alguém melhor e fazer felizes as pessoas que amamos? Por que desejar construir um mundo melhor e melhores relacionamentos com as pessoas todas? De onde vem esse ímpeto de nos tornarmos a cada dia pessoas menos egoístas?

Eu penso, sem jamais generalizar, que as pessoas - excluindo as patologias e exceções evidentemente - que realmente creem que tudo acaba e que nada tem um propósito devem ser essas que rompem completamente com qualquer sentimento ético e moral. Aqueles que não se preocupam mais com o que é correto e nem em conviver em harmonia com os seus semelhantes. Roubam, matam, exploram, escravizam e diminuem o próximo, pois certamente acreditam  que não há nada além do agora e o seu tempo está acabando. Do contrário acho que teriam medo das consequências dos seus atos, já que a vida não se extinguiria com a morte.

Penso que até mesmo a ciência é movida por dúvidas quanto a existência ou não desse mundo desconhecido. Nem mesmo os mais incrédulos dos materialistas, ainda que não saibam disso, devem possuir uma forte dúvida quanto a isso e o fato de vasculharem tudo, pesquisarem tudo e buscarem o tempo todo uma explicação lógica para tudo o que existe é única forma que possuem de tentar eliminar essa dúvida.

Da mesma forma que é preciso fé para crer em algo que apenas se supõe, algo que nos é completamente inexplicado e que talvez possa existir além da matéria é preciso ter dúvidas para continuar. Se certeza absoluta tivessem, de que tudo se acaba com a morte, não teriam tanto empenho, não passariam uma vida inteira pesquisando tudo e tentando provar isso. Não faria o menor sentido alguém gastar esse tempo tão curto - que ele teria - justificando racionalmente tudo o que existe.

Se eu tivesse a plena convicção de que tudo acaba com a morte, acho que seria um ser bem egoísta - muito mais ainda que já sou. Não perderia um único segundo do meu tempo fazendo algo que eu não goste apenas porque é o certo ou necessário. Provavelmente nem quisesse continuar existindo. Na primeira decepção e dificuldade que a vida me impusesse, acabaria com a angústia de vez.

Assim, são as minhas dúvidas, minhas infinitas dúvidas quanto a tudo, que me salvam. São elas que me fazem querer continuar, querer entender e até mesmo acreditar - já que essa é mesmo uma possibilidade em meio a tantas outras - que tudo faz sentido, que nada é por acaso, que amar vale a pena, que ser alguém melhor vale a pena, que um dia compreenderei  todas as coisas - de alguma forma. Que ser feliz é uma meta, que o sofrimento tem alguma serventia, que ser justo, honesto e respeitoso me trarão consequências boas.

As minhas infinitas dúvidas me salvam de me tornar uma pessoa vazia. Eu não conheço a verdade, não tenho certeza de absolutamente nada, não sei a razão da minha existência, de amar de forma despretenciosa, de desejar ser alguém melhor e de ter um bom caráter, mas sei que esses desejos e isso tudo já nasceu comigo. Sei que as minhas experiências reforçam essa crença de que tudo deve ter algum sentido e que lá no íntimo do meu ser, tentando me despir completamente de tudo - da forma mais honesta possível  - eu continuo achando que a vida não é um mero acaso.